Serotonina junkies

E eis que assim, de repente, metade das Especialidades resolveu ser saudável. Rachelships resolveu tornar realidade seu projeto e entrou numa academia. Juju Amaral, depois de enjoar de academia, está correndo. Marcelo, que corria, parou, mas diz que vai voltar. E eu, que nadava que nem meu narizinho, entrei no remo.

Soa bem, né? E é bom mesmo. Remo é o tipo de coisa chique-porém-exótica que só se consegue fazer quando se é aluno da USP. Devo agradecer para sempre às Proteínas Místicas que me deram a inspiração de aproveitar meu penúltimo semestre aqui na USP e entrar na aula de remo, já que ia ficar trabalhando aqui na ECA mesmo.

Tá certo que a USP não colaborou. Eu fiz matrícula nas atividades físicas do CEPE dentro do prazo pela primeira vez em quatro anos, só para passar pela decepção de não ser sorteado. Daí tive que vir pra USP numa terça sete e meia da manhã, e disputar a tapa as vagas remanescentes no remo daqueles que haviam sido sorteados mas não fizeram matrícula, que seriam distribuídas às oito. Eu vim me achando muito esperto, crente de que só teria eu na fila, e descobri que dezenas de outras pessoas tiveram a mesma idéia. Mas dei sorte e consegui uma das últimas vagas.

Sorte mesmo. Descobri que remo é um esporte incrivelmente bacana, que mexe o corpo todo, exige concentração, e ainda por cima é em grupo. Faz eu me sentir muito bem. Já nas primeiras semanas, em que a gente ficava remando na piscina (cujo nome mais elegante é "barco-escola"), eu já comecei a me sentir mais fortinho e saudável. Não via a hora de ir pra raia de remo de verdade.

Ainda bem que eu estava empolgado, pois, quando fui, os efeitos foram terríveis. Por provavelmente ter remado errado, depois de 45 minutos dentro da canoa eu saí com as costas em frangalhos. Parecia que alguém tinha passado as minhas vértebras no espremedor de batatas. Eu mal conseguia andar.

Felizmente a semana seguinte era a Semana Santa, não tinha aula, e eu pude descansar o lombo. E, pra piorar, tive que aguentar os olhares reprovadores do meu irmão, que ficou indignadíssimo porque eu não tinha feito alongamento antes da atividade física. Mas pelo menos ele me ensinou uns alongamentos úteis.

Ontem eu fui pro remo morrendo de medo que o martírio se repetisse, mas deu tudo certo. Saí da aula com as costas inteiras, e todo feliz. Viva a serotonina! E quando os efeitos do exercício se tornarem visíveis, então, vou ficar muuuito mais contente.