Evolução na carreira

No começo do século, quando eu ainda estava na ECA e já tinha resolvido que ia trabalhar com revistas, eu fiz uma matéria que a Abril oferecia de edição de imagens em revista. A proposta era basicamente entender como é o projeto gráfico de uma revista, e criar um para uma revista que o grupo mesmo propunha.

Foi um semestre de palestras empolgantes, em que eu encontrava semanalmente aquelas pessoas que todas faziam o que eu queria tanto fazer, que saíam lá do templo onde trabalhavam só para entregar migalhas de sabedoria para a minha humilde pessoa. Como eu curtia aquilo.

Já as pessoas do meu grupo não curtiam muito, e não se esforçaram o mínimo para que saísse um trabalho bacana. A nossa orientadora, uma designer da Quatro Rodas chamada Giselle, deixou bem claro para nós desde o começo que ela estava lá para orientar, não para fazer nosso trabalho, e que pra ela não fazia diferença nenhuma se o que a gente entregasse saísse bom ou ruim. A nota era nossa, ela já tinha se formado e não afetava em nada na vida dela o nosso desempenho.

Mesmo assim, eu e outro colega resolvemos desencanar dos outros quatro membro do grupo e fizemos um projeto bem bacana. Apesar de ser algo que hoje eu vejo como totalmente iniciante, eu tenho afeição por aquela revista que me custou tantos dias para fazer.

Agora, já no fim do século, eu já fui para a Abril, saí e voltei, continuo achando o lugar o máximo mas não o vejo mais como um Olimpo distante (de Olimpo, aliás, não tem nada). Gasto mais dias fazendo revistas, mas que pelo menos são muito melhores do que aquela, têm muito mais páginas, e têm a vantagem de ser de verdade.

Nessa última semana, estando no final de um processo de seleção para editor de arte da editora Ática (que pertence à Abril), eu fui chamado para participar da equipe de uma nova revista (a ser lançada em dois meses), que chamaremos de SX. Sim, finalmente, como editor de arte. Hooray! Projeto muito bacana, que tem tudo para dar certo, que caiu como uma luva para o que eu queria e pretendia e podia colaborar, e vai me deixar mais fitness ainda.

Pois que, dois dias depois de aceitar o convite, enquanto eu ainda estava no processo de fechar minha última edição da revista em que trabalhava, minha queria Bebel Abreu me liga. “Marcinho, o que você vai fazer no fim de semana do dia 30/31?”. Não sei, Bebel, não tenho nada programado ainda. “Ah, então você não quer ir avaliar portfólios de ilustradores no Rio, na exposição Ilustrando em Revista? O Alceu sugeriu seu nome, agora que você vai ser editor.”

Foi um dos momentos em que todas as minhas reações esfuziantes queriam ser liberadas, mas tiveram que ser contidas a duras penas porque eu estava no meio da redação. Claaaaro que queria! Só me avisa que horas que começa pra eu programar de tomar o ônibus e…

”QUE MANÉ ÔNIBUS, MARCIO!? Cê vai de avião! A Abril paga!"

Que bom que não completei com “…e avisar meu amigo Léo que vou ficar na casa dele”. Que pobrinho eu sou.

Então que, uma semana depois, eu desembarcava no Rio e de lá para o CCJF, onde Bruno D’Ângelo estava dando uma palestra para aspirantes a ilustradores em revista contando sua trajetória. Depois, toda a comissão avaliadora foi almoçar, eu entre eles. No grupo, a Giselle, hoje editora de arte da Bons Fluidos. Não podia deixar de pensar como as coisas são engraçadas, como eu estava lá repartindo um filé à francesa com aquelas pessas nas quais eu babava há nem tanto tempo assim.

A tarde foi uma maratona de receber ilustradores, ver o que tinham pra mostrar, e tentar orientá-los na medida do possível. Muito interessante e educativo para nós avaliadores também. Depois teve um happy hour, no qual todo o meu cansaço desabou, a ponto de eu não ter forças para levantar da cadeira. No fim da noite, chegar no hotel, que era muito bom, ter um quarto só pra mim (!) e tirar a cara de bobo da cara de que a empresa realmente acha que eu mereço um gasto desses.

Amanhã, voltar para a minha nova mesa, na qual eu ainda estou me acostumando, e colocar para funcionar o tal do projeto. Para o alto e avante.

2 Responses to “Evolução na carreira”

  1. Germaa

    E ai marcio, td bom? Legal essa evolucao da carreira heim. E a revista nova? Ficou SX mesmo? procurei la no site da abril mas nao encontrei.

    abs