Quem levou o Anand à turma do Cotuca fui eu; fazíamos Engenharia da Computação juntos, ele queria conhecer mais gente que jogasse RPG, então eu o apresentei ao resto da turma. Com o tempo, ele deixou de ser "aquele mané amigo do Marcio" para ser o Anand, com registro próprio e direitos de Inner Circle.
Ontem foi a colação de grau do Anand, e eu e o Danilo fomos prestigiar. Encontramos o pessoal um pouco antes de subirem no palco. Foi um evento muito estranho para mim ver a minha classe da Unicamp se formando. Obviamente a primeira coisa que eu pensei foi "EU PODIA ESTAR AÍ!!". Fazia muito tempo que eu não via a maioria dos meus colegas da Engenharia; em geral, desde a última aula que eu assisti na Unicamp. Cumprimentei o pessoal da Panela e fui procurar um lugar para sentar – missão impossível, a maioria dos lugares já estavam ocupados, e os que não estavam ocupados estavam sendo "guardados".
A entrega dos diplomas começou com uma versão saxofônica de "Fácil", do Jota Quest. O que só podia ser ironia. A Engenharia era tudo, menos fácil. Desde o dia em que nós, pobres bixos carecas, tivemos que tomar sopa fria do galão coletivo antes de entrar numa aula-trote, não teve uma aula que fosse realmente fácil (tirando as primeiras de programação, que eu já tinha aprendido tudo no Cotuca). Eu fiz parte dos quarenta por cento da classe que, conforme o professor anunciou na primeira aula, bombariam Física I. Depois de um ano e pouco aprendendo mal matérias que eu não gostava de qualquer maneira, eu finalmente saí da Engenharia para eventualmente me tornar um Editorando com orgulho. Mas não posso deixar de sentir orgulho e admiração pelos meus colegas que aguentaram mais três anos daquilo (e, pior ainda, devem ter até gostado!) e conseguiram se formar.
A cerimônia até que foi bastante descontraída. Quando o Bolha foi fazer seu discurso como representante da classe, o pessoal começou a fazer bolhas de sabão. Um cara da classe volta e meia levantava uma placa pedindo "aplausos". Mas o melhor foi o cartaz que tinha escrito "Engenhheiro, 23 anos, moreno, formando, procura emprego para relacionamento estável".
O porre de colação de grau é que todos nós convidados estamos lá apenas como meros acessórios para fazer com que os formandos se sintam importantes. Entra um professor, entra outro, entra mais um, o povo faz um juramento esdrúxulo, cada um dos alunos vai lá, recebe o diploma, fala um paraninfo, fala outro, fala o diretor, fala o homenageado, faz-se uma homenagem aos pais, aos alunos, aos funcionários, a deus, entrega os diplomas de mérito para os melhores alunos, fala mais um, mais outro, e nós nisso? Nada, melhor aplaudir na hora certa.
Depois da solenidade, eu e o Danilo fomos de novo cumprimentar o pessoal. O mais surpreendente foi finalmente conhecer a mãe do Anand, que mora na África e veio para a formatura. Ela existe de verdade!
Na saída, jogando fora o pacotinho de Doritos com o qual eu e o Danilo tínhamos enganado o estômago durante a interminável cerimônia, o Danilo me lembra que ano que vem tem a do Kil, e, depois, a do Davi. Sem falar a dele também, que vai ser a segunda formatura que eu não vou ter (a primeira sendo esta, e a terceira sendo a minha…). Coragem, coragem, pelo menos os formandos ficam contentes…