Momentos do fim do ano

Na quinta, depois de quatro horas dirigindo, chegamos no sítio do tio Celso em Pirajú. Não tinha mais ninguém. Descemos dos carros correndo para escapar do toró que estava caindo, localizamos o cobertor e o baralho, e começamos a jogatina antes mesmo de descarregar as malas.

Na sexta fez sol. Estreei a sunga nova e fui ficar fritando no sol. Eu queria pegar um megabronzeado, mas caprichei demais no Sundown e não fiquei da cor que gostaria, só suei muito.

No sábado o tio Benjamin veio com as filhas da mulher dele. Juntaram todos os microfones disponívei (quatro), e elas ficaram cantando a tarde inteira com o Danilo e o Anselmo. É impressionante como a música consegue trazer momentos assim, puramente felizes, para gente que já teve tanta desgraceira na vida. À noite, fiquei jogando videogame até altas horas porque não conseguia dormir de saudade.

No domingo nós tivemos a certeza de que nossos tímpanos resistem a tudo, pois nem a barulheira dos fogos de artifício a cinco metros de distância, nem os potentes alto-falantes da Banda Brasília ("Vá pra Méééééridaaaa… Vá pra Mééééééridaaaa…") enconstados nos nossos ouvidos conseguiram nos deixar surdos nesta virada de ano.

Na segunda voltou a chover, só pra deixar a viagem de volta que eu e o Danilo estávamos fazendo tão emocionante quanto a primeira. No meio do caminho o carro começou a engasgar, a pular e a não responder mais ao acelerador. Depois de muito pensar, parar e voltar a andar, o Danilo descobriu que a única coisa quebrada no carro era o medidor do tanque, e que o carro estava quase sem combustível. Pusemos cinquentão e tudo ficou bacaninha.