Programa de sexta à noite: festa de aniversário do Guilherme, irmão mais velho do Louis. À tarde o Louis chamou a Amanda, Zé, eu, Renata, Débora, Ciça e Bruno para fazer-lhe companhia na festa do irmão, garantindo que teríamos todos o nome na lista de convidados. O que não era nenhum sacrifício, muito pelo contrário: eu conheço o Guilherme desde que conheci o Louis, sete anos atrás, já trabalhei um pouco para ele, não somos estranhos nem nada. Sem falar que um baladão grátis assim não se recusa.
Onze da noite o Zé me pegou em casa, junto com a Ciça, e fomos até o Itaim procurar o Bar do Araújo na rua Araújo. Quando conseguimos chegar lá, descobri que eu era o único que não estava na lista de convidados (so much pelos sete anos de convivência), mas o cara na porta não pegou no pé, anotou meu nome no fim da lista e me deixou entrar.
Naturalmente, eu não conhecia nem um décimo das pessoas ali, mas logo localizamos o Louis, o resto das pessoas chegou e a gente ocupou um canto da pista de dança. Cercando a gente estavam representantes de todas as mais ilustres famílias da Mauriciolândia. Eu fiquei lá, dançando e observando, até que chegou num ponto que eu não agüentei e fui falar com Louis: "Lui, por que que todos os mauricinhos depois dos 25 anos são gordos?". "Como assim?", pergunta ele. "Olha em volta!" Ele olhou e disse "Ah, mas o Guilherme não é gordo. Mas ele também não é mauricinho. É meio mauricinho e meio gordo. Hmmm, você tá certo". A Amanda apontou que esta é uma conseqüência natural de um processo que começa aos vinte. Deve ser mesmo. Eles começam a ganhar quilos para compensar os cabelos que perdem.
Deviam fazer um folhetinho para entregar na entrada destes lugares:
1) Você consegue passar quinze minutos sem ter uma bebida na mão. Ficar segurando um copo de uísque ou garrafa de cerveja a festa inteira não vai resolver seu problema de auto-estima.
2) Não fique atravancando o caminho com sua barriguinha de chope. Corredores, escadas e o espaço de passagem entre mesas não são bons lugares para ficar parado secando as pessoas.
3) Se você não sabe dançar, fique na sua e não passe ridículo. As danças de hoje em dia dão liberdade o suficiente para você ficar fazendo aqueles dois passinhos que você aprendeu na sétima série a noite inteira, sem ninguém se incomodar. Ir para a pista segurando um copo de bebida não melhora em nada a sua performance.
4) Encurralar a menina no canto da pista com um copo de uísque e não deixá-la sair enquanto ela não te beijar não é uma boa cantada.
5) Existem outras opções de vestuário além de camisas de botão.
6) Quando uma menina está bêbada o suficiente para topar dançar twist com você, não fique girando ela de um lado para o outro. Você não sabe fazer o passo certo mesmo (veja número 3), e ela inevitavelmente vai tropeçar no seu sapato e cair de cara no chão. Ficar jogando ela repetidas vezes para trás também não é uma boa idéia: ela pode ficar zonza e gorfar na sua camisa de botão, ou bater a cabeça na parede.
7) Atravessar a perna na escada para não deixar seja lá quem for passar até que ela fale com você também não é uma boa cantada. Não só irrita ela, como também todas as outras vinte pessoas que estão tentando subir/descer a escada.
8) Ficar batendo palminha do lado da cara não faz de você um dançarino de flamenco. Novamente, veja número 3.
9) Tentar catar a mina bujãozinho no fim da festa depois de ter dado em cima de todas as outras não melhorará sua carência ou sua auto-estima. Ela não é besta e não vai querer encarar seu bafo de chope.
10) Dar uma de joão-sem-braço e entrar no meio da fila para pagar a conta não é educado, e olhar para cima e assoviar para fingir que não ouviu a mulher reclamando atrás de você é pior ainda.