Migrando ao sul

Acordei bem cedo para conseguir partir o quanto antes e percorrer a maior distancia possivel antes que esquentasse demais. Desmontar a Iracema, organizar tudo, conferir se estava tudo como devia e nada estava ficando pra tras (principalmente o celular), tudo isso levou mais tempo que eu esperava, mesmo assim as oito da manha eu estava de partida.

Definitivamente a moleza da planicie acabou; tudo agora e cheio de subidas e descidas, e mudar de marcha e uma atividade constante. Cada vez que eu subo ladeira acima eu fico me perguntando se realmente preciso daquilo tudo, e fico revendo meu inventario ate descobrir que nao, nao tem como me livrar de nada no momento. Dai chega a descida, fica tudo mais fresco e mais gostoso, a velocidade aumenta, e eu fico mais feliz. Ate a proxima subida.

Outro problema e o vento. Essa coisa de ir contra o vento, sem lenco sem documento, so e boa na musica do Caetano. Quando se esta de bicicleta, o vento contra so dificulta as coisas, voce faz a maior forca e nao consegue ir mais rapido. Tem gente que escolhe as rotas de acordo com a direcao do vento no dia, mas eu devo dizer que nao tenho como fazer isso.

Tirando a temperatura ao meio-dia, a jornada de hoje aconteceu sem grandes dramas, e eu cheguei em Reims por volta das quatro horas, bastante inteiro, e nem sofri tanto pra encontrar o albergue. A cidade e bem grande, e parece ter muitas coisas para se fazer. Eu provavelmente ficaria por aqui mais um dia de qualquer jeito, mas, sendo que amanha e meu aniversario, eu vou me dar esse dia de presente.

So pra nao ficar tao breve, algumas curiosidades:

– Meus oculos escuros trincaram, depois de terem sofrido algumas quedas. Ainda nao trincaram de alto a baixo, mas, principalmente no olho esquerdo, a rachadura torna a visao meio estranha. Estou torcendo pra que ele resista ate o fim, porque nao da pra ficar sem oculos escuros (nao quero voltar bronzeado, sarado, meio cego e cheio de pes de galinha), e tambem nao quero gastar dinheiro em outro par.

– Sabe aqueles bichinhos que ficam no para-brisa do carro quando se viaja? Pois entao, quando se viaja de bicicleta eles ficam todos em voce. Minha camisa parece uma exposicao entomologica, a cada 20 km eu tenho que dar uma limpada pra tirar todos os bitchos que ficam grudados nela.