Ano novo de garagem

Aninha recebeu alta do hospital pouco antes da virada do ano. Mas ainda tinha que ficar de molho por um tempo. Então, pela primeira vez em muitos e muitos anos, a famiglia não viajou no Reveillon; ficamos todos em Camps City mesmo.

Eu já tinha me resolvido a passar o Reveillon entre a família, onde quer que fosse, pra compensar pela longa estadia em Londres. O plano inicial era todos irmos para Avaré, no sítio de Tio Celso, mais Cynthia, vó Maria e quem mais coubesse no carro. Mas, com a operação de Ana Paula, esses deslocamentos todos ficaram impossíveis.

Ficou resolvido então que vô Anselmo se encarregaria da ceia, para a alegria de nosso paladar. Anand e Kika foram convocados para reforçar nossa festita; Cynthia Miranda era querida, mas havia se comprometido com outrem.

Curiosamente, por conta disso tudo, foi o primeiro reveillon em que nossa família inteira estava presente em muito tempo. Até mesmo Danilo, que vive fazendo plantões, estava livre naquele dia (apesar de que na manhã seguinte estaria pegando no batente de novo).

Demorou um pouco para os não-Carlos se adaptarem ao nosso estilo musicado de fazer passagem de ano novo. Mas Anand logo apareceu com seu baixo e se pôs a tocar comigo e com Danilo nossos rocks rurais. Ficamos conversando e comendo azeitonas por horas; depois de um tempo começou a chover, e transferimos o forfé da garagem para a sala.

Vô Anselmo não decepcionou, e serviu uma ceia FABULOSA – fazia muito tempo que eu não comia bem assim. E, mais ou menos à meia-noite, nosso relógio marcou o fim de ano; cumprimentos e músicas do John Lennon para todos. Aninha, que estava quase caindo de sono, resistiu bravamente até a virada para aparecer nas fotos. Depois capotou.

Ainda sobrou muita conversa para o iniciozinho do ano, durante a qual desenterramos que Danilo gostava de Rosana, entre outros podres. Foi muito divertido. O ano começou bem.