Birthday

Fazer aniversário longe da patota toda é sempre difícil. Eu já vinha pensando no que faria no meu aniversário aqui esse ano, para que não virasse o aniversário mais deprimente da minha vida – já tive um candidato a esse título alguns anos atrás, e não queria que ele ganhasse concorrente.

É claro que as situações externas sempre complicam a situação. Primeiramente, eu não achava que devia fazer uma festinha com o povo da faculdade. Como a entrega dos trabalhos do semestre era dois dias depois do meu dia, que dia mais feliz, eu tinha graves suspeitas de que, se resolvesse fazer um pique pique com os coleguinhas, ninguém iria. Além disso, claro, eu também tinha que dar os últimos acertos nos meus trabalhos da facul.

Um mês e pouco antes eu descobri que a Aimee Mann ia dar show em Londres pra promover seu disco novo, The Forgotten Arm, e, que lindo, um dos shows seria no dia do meu aniversário. Comprei os ingressos e fiquei duplamente esperando pelo meu cumple.

No dia tão esperado, acordei tarde porque tinha trabalhado montes no dia anterior, fiquei o dia inteiro tentando me mobilizar para continuar escrevendo o trabalho que tinha que entregar na faculdade dali a dois dias, mas não tive forças. Quando deu um horário decente, liguei pra casa da vó Maria, onde pai e mãe e Ana Paula estavam, e assim recebi os parabéns da família inteira. Fiquei assistindo aos episódios finais da primeira temporada do Farscape, que eu comprei em DVD faz um tempo, depois fiquei recebendo e-mails e mensagens de Orkut
Que foi bacana, até. , depois me arrumei e peguei a bicicleta pra ir pro show da Aimee Mann. Ao contrário dos shows da Tori Amos e da Lisa Loeb, que tinham lugares mercados, esse era de assistir de pé mesmo, mas quando eu cheguei nem tinha tanta gente, e consegui ver o show bem de pertinho. Para minha pequena decepção, a Aimee Mann tem a presença de palco de uma berinjela. As músicas dela são ótimas, a banda é toda muito competente, mas faltou aquele tchuns que faz você achar que vale a pena você pagar pra ver o artista ao vivo em vez de ficar simplesmente ouvindo o disco.

Cheguei em casa e liguei Macedo Afonso, na esperança inocente de finalmente fazer o maldito trabalho da facul. Mas que nada. A família tinha chegado em Campinas, ligamos as webcams, e fiquei lá conversando com eles via computador. Manobroda tinha resolvido dar um jantar vegetariano para comemorar sua parte do nosso aniversário, e todos nossos amigos de mais de dez anos (céus, que velhos) foram lá pra casa, subiram no quarto e começaram a cantar parabéns pra mim via webcam. Fiquei muito comovido e até meio sem jeito. Infelizmente, logo todos resolveram voltar para o andar de baixo, comer mato, e, tirando Cynthia Miranda, que ficou me fazendo companhia no chat, minha pseudofesta ficou por isso mesmo.

Nos dias seguintes, depois de entregar o maldito trabalho, arrancado a fórceps do meu intelecto, a gente ficou fechando a Jungle. Eu fiquei por dias dando indiretas e cruzados de esquerda no chefinho Juliano pra ver se ele se ligava: "É, meu aniversário foi domingo! No seu aniversário eu comprei um bolo pra você pra gente cantar parabéns! O Sainsbury’s é lá na esquina!", mas em vão. Então, num dia particularmente estressante, eu fui pro supermercado comprar a janta de todas as noites, resolvi comprar uma torta de groselha que muito me agrada, e convoquei a redação a cantar parabéns para mim. E daí fiquei apropriadamente comovido e levemente constrangido como sempre, e pude sentir que finalmente tinha comemorado meu birthday.

26 aninhos. Já estou mais perto dos trinta, como diz Cynthia Miranda. Ela que se prepare pros 26 dela.