Bem, antes de mais nada, o acontecimento mais importante. Desde o dia que eu cheguei brotou uma espinha GIGANTE bem no meio do meu nariz, onde se apóiam os óculos escuros, destruindo a excelente boa-impressão que eu queria deixar aqui pros brits. Além de doer, fico eu sempre com a impressão de que estão olhando torto pra mim, apesar de que provavelmente não estão. Anyway.
Tive que interromper o outro post porque o professor chegou na sala, eu achei que seria melhor parar e prestar atenção no que ele estava falando.
Bem, onde parei… Então, o boxzinho do chuveiro fica num canto do quarto, mas a privada fica fora, tenho que passar duas portas pra chegar lá, minhas necessidades são todas programadas.
Tomei banho, peguei um beliche de cima (minhas experiências de albergue recomendam sempre pegar a parte de cima do beliche) e dormi montes. Depois acordei, fui começar a me localizar, descobrir como funcionam as coisas aqui, andei um pouco pelos arredores. Experiente de Santiago, fui conferir os utensílios da cozinha coletiva antes de comprar qualquer coisa, descobri que tem que pedir na cozinha do albergue as coisas emprestadas, achei um supermercado a quinze minutos de caminhada, comprei comidas e fiz minha primeira jantinha. Daí voltei pro quarto, e encontrei os outros dois americanos que estavam dividindo o quarto comigo aquela noite. Um deles tinha um guia turístico com todos os points of interest de Londres, com a estação de metrô correspondente, anotei tudo e pretendo visitar todos antes de sair do país.
Domingo eu acordei, e fui até Heathrow de volta resgatar a minha outra mala. Acabei tendo que pagar uma diéria a mais, porque cheguei depois das dez, mas não tinha nem como ter chegado antes,a bilheteria do metrô só abria às nove. Fiquei fortinho carregando a outra megamala até o albergue, tomei um fôlego, e resolvi não ficar mais preso no albergue. Comprei um travel card pra semana toda e fui me perder em Londres. Desci na estação Embankment e comecei a andar a esmo. Quando vi, estava em Trafalgar Square, que é muito linda. Continuei andando entre os prédios velhos todos, de repente cheguei em East End, onde todos os musicais estão, e fiquei passando vontade (depois descobri que os ingressos, além de caros, só são vendidos pra, tipo, outubro, então acho que vou passar vontade por um bom tempo ainda).
Caminhando e cantando, trombei com a National Portrait Gallery, com uma placa bem grande que avisava que era de graça. Não tive dúvidas, entrei lá e fiquei vendo retratos dos últimos 500 anos por umas cinco horas, deu pra acompanhar todas as famílias reais, no começo eu lia todos os textinhos, no final eu só procurava algo que me chamasse a atenção, vou ter que voltar lá depois, mas foi bom.
Saí do museu e já estava escuro (está anoitecendo por volta das cinco da tarde, aqui). Continuei andando e andando, encontrei a Catedral de São Paulo, que é bem bacana (ex-peregrinos não conseguem ver uma igreja velha aberta sem entrar), depois andei mais um pouco e cheguei no Tâmisa. Dizem que já foi muito poluído e o limparam, espero que consigam fazer o mesmo com o Tietê, porque o rio aqui é uma beleza.
Segunda-feira fui pra faculdade pela primeira vez. Cheguei às nove da manhã, e fiquei esperando porque não tinha nada funcionando ainda. Às dez a secretaria abriu, consegui fazer matrícula, descobri a sala onde terei minhas aulas, depois de procurar um pouco encontrei o professor responsável, e descobri que a secretaria tinha me mandado as datas erradas, e as aulas tinham começado na semana passada. Mas não tinha perdido nada importante, os alunos tinham passado a semana basicamente apresentando seus trabalhos e dizendo de onde vinham, ainda estavam fazendo isso, as a matter of fact, então não havia por que se preocupar.
A classe do Graphic Design MA tem sessenta alunos, que serão divididos em quatro turmas em breve. Tem gente do mundo todo, acho que pra falar a verdade tem só duas ou três pessoas da Inglaterra mesmo, de resto tem duas portuguesas, cinco gregos, uma outra brasileira, três chineses… me sinto na ONU.
A faculdade em si é linda, não tem pobreza em lugar nenhum, os computadores sobram, tem quatro imacs novinhos só pro povo do meu MA, mas tem mais centenas de computadores de uso comum espalhados no prédio. A biblioteca é gigante, e toda informatizada.
Bem, tenho que cuidar da vida, em breve informações sobre minhas buscas de emprego e casa!