Pois bem, depois de tanta expectativa, tanta correria, tanto tudo, aqui estou eu em Londres, vendo o céu sempre cinza e as novidades dessa cidade tão velha.
A partida foi sexta-feira. Mãinha chegou cedo no meu apê em Sampa, enquanto eu estava buscando e vendendo os meus vales-transporte da Abril que tinham acumulado desde que comecei a andar de bicicleta. Eu cheguei e ela já tinha começado a arrumar meu quarto, que, admito, estava de ponta-cabeça porque eu ia embora em poucos dias mesmo, então por que arrumar? Ficamos a manhã e o começo da tarde organizando o que faltava ser organizado, preparando o ambiente pra ser desmontado depois de minha partida.
Deixei uma caixa de livros pra Thais, ficaram outras três de livro e uma de CDs no quarto, e foi pra doação mais uma caixa cheia de roupas. Pra viagem, levei minha mochila escudeira, mais duas malonas cheias de roupas, livros e gibis, esses últimos pra vender.
Cynthia Miranda chegou no apê duas e pouco. Pai chegou às quatro, mais em cima da hora do que devia. Saímos de lá em cima da hora, para, quando chegasse no aeroporto, ainda fazer um transplante de malas, check-in e tudo mais. Nos apressamos, corremos, fomos de um terminal pra outro, mas não teve jeito: perdemos o avião. Felizmente, Nosso Senhor do Bonfim estava conosco, e conseguiram me colocar num vôo direto pra Londres que saía dali a meia hora. O que no fim das contas foi melhor do que o vôo cheio de escalas que eu ia pegar inicialmente.
A despedida foi corrida e meio descabelada. Mal deu tempo de abraçar Mãinha, Pai, Lermano, Litoubrou, Litousis, Natashy e Cynthia. Mas não sei se lamento isso tudo, porque não queria ficar me debulhando no aeroporto, e segundo Cynthia conta no Pimentinhas, ficaram ela e Mãinha se esvaindo em lágrimas depois que eu entrei no portão de embarque.
O vôo foi muito tranquilo, com comida muito boa, telinhas individuais pra ver filmes, e filmes ótimos; assisti a O Espanta-Tubarões, Eu, Robô (que é melhor que eu pensava) e Questão de Honra. Chegamos em Londres seis e pouco da manhã aqui, mas aparentemente estava com montes de tréfico e tivemos que ficar esperando pra pousar até sete e qualquer coisa.
Na imigração, fui atendido por uma mulçumana de lenço na cabeça, que não me causou problema nenhum e me deu um visto de estudante. Fui depois recuperar minhas malas, e saí pelo desembarque com sono mas pronto pra descobrir pra onde eu ia.
Deixei uma das mega-malas num guardador lá, e fui seguindo setinhas até o trem que liga os terminais do aeroporto de Heathrow. Fui pro terminal dois, e dali pro metrô. Seguiu-se então uma hora e meia de viagem, com uma baldeação sem escada rolante (carregar 32 quilos de mala é dureza) e uma troca de trens na mesma linha até chegar em Kensal Green, onde fica o albergue que eu tinha feito reserva. Mais escadas e uma andadinha depois, estava eu no balcão do Millenium Lodge fazendo check-in.
O lugar é meio caído, mas é barato e oferece café da manhã de graç. Fiquei num quarto no terceiro andar. Sim, você adivinhou, o elevador não funciona e eu tive que carregar a megamala escada acima. Nas escadas existe um grafite de um cantor para cada andar, então eu, com a mala nas costas, passei por figuras sorridentes da Bjork e do Bob Marley até chegar na Tina Turner, que fica no meu andar.
Tem três beliches no meu quarto. Como o quarto é só para homens, tem um chuveiro l´ num canto mesmo – mas a
(Quando escrevi o original disso no blogger, o professor entrou na sala na hora em que escrevia isso, então interrompi o texto nesse ponto. Fica assim mesmo por conta da autenticidade.)