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República dos nomes excêntricos


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Lewis, eu, Peggy e Warren

Lewis, eu, Peggy e Warren

Quando eu comecei essa viagem de bicicleta, 75 quilômetros era uma distância mais que razoável para se pedalar num dia. Seguindo o guia dos ciclistas preguiçosos no qual eu baseava as minhas diárias, aos 70 eu já estava procurando abrigo para descansar o resto do dia. Então é com um misto de ironia e alegria que eu vejo que 75 km se tornou “um dia curto” para mim, já que o padrão agora é de cem quilômetros para cima.

A programação de hoje era ir de Hamilton para Missoula, onde havia outra casa de WarmShowers nos esperando, já combinado para nos abrigar por dois dias para que a gente tirasse o último dia de folga da jornada. Cientes da “pouca distância” a ser percorrida no dia, passamos um dia sem pressa pra nada. Tomamos um café da manhã demorado com o Warren, que preparou pra gente panquecas integrais com o mel que ele mesmo colhe de suas abelhas. Peggy tinha saído mais cedo pra ir pra igreja, mas conseguimos tirar uma foto de todos juntos antes dela ir.

Viajando de bike com o cão

Lampinho capaz de querer um

Uma hora e meia de estrada depois, Lewis me pergunta se eu não topo parar pra comer alguma coisa, porque as panquecas não tinham enchido o bucho. Com certeza. Então paramos num Subway. Uma hora de almoço adiantado, de volta pra estrada. De curioso, só uma ciclista que pedalava ao lado do cão – com um gancho especial pra correia do dogue quando ele queria correr ao lado da bike, e puxando um vagão atrás da magrela para ele ir dentro, na moleza, quando se cansava.

Mais duas horas pedalando e já estávamos quase em Missoula, mas ainda era cedo demais para chegar na casa onde íamos ficar. Então fizemos uma horinha no McDonald’s (sempre válido, pelo wi-fi grátis) e seguimos para a cidade, ainda no meio da tarde. O que fazer? Só enrolar mais. Esse domingo era o segundo dia de um festival de música grassroots, com palcos e tendas de comidas nas ruas. Sentamos em um bar na frente de um palco e ficamos ouvindo os den-denguedéins dos banjos. Lewis pediu cerveja, como sempre, e eu resolvi acompanhar: pedi uma cerveja local chamada “Pig’s Ass”, só pelo nome. Me dei mal, tinha mesmo gosto de bunda de porco. No menu ainda tinha “Moose Drool” e “Dead Guy Ale”, mas daí perdi a coragem de escolher cerveja pelo nome.

Missoula Roots Festival

Isso que é música (grass)roots!

Já quase seis da tarde, nossos hosts responderam nossos torpedos e deram o sinal verde pra gente despencar na casa deles. Paramos para comprar umas cervejas de presente e lá fomos nós. Nossos benfeitores dos próximos dias são três estudantes universitários que abrem a república para ciclistas viajantes. Os três são ciclistas e são bem o padrão de moradores de república, ou seja: na sala de estar tinha suportes para quatro bicicletas, mas a única mobília era uma mesa para as tranqueiras diárias. Falaram pra gente se espalhar pela sala mesmo, sentamo-nos todos no chão, eles com cervejas, eu na água de torneira, e passamos o resto da noite falando as besteiras divertidas que ocupam o mindset de quem está prestes a se formar da faculdade: sexo, provas e festas. Pode não ser uma casa que nos serve comida como outros WarmShowers, mas isso é mais que compensado pelas gargalhadas das conversas noite adentro.

Pig's Ass Porter

Cerveja Bunda de Porco

Moose Drool

Cerveja Baba de Alce