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Espinafradas


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Obra na estrada

Obra na estrada, pode?

Nas últimas semanas, Carbondale ganhou uma dimensão meio de Oz entre nossa trupe. Assim como Dorothy & co., todos nossos problemas se resolveriam quando a gente chegasse lá. Meu bagageiro estava com um parafuso faltando – quando chegar em Carbondale, o bicicleteiro conserta. Também tinha que comprar uma barraca nova – em Carbondale há uma loja decente. Lewis precisava trocar uma peça da bike e mandar a velha para o correio – em Carbondale dá pra fazer isso. Joe precisava receber um Moneygram comprar comida – em Carbondale tem.

Então nossa segunda-feira de folga foi na verdade cheia de missões. Eu tentei acordar mais tarde, mas miseravelmente acordei seis e meia da manhã, mesmo sem despertador. Fui caçar um lugar pra tomar café da manhã, depois voltei pra casa. Demorou, mas o resto do povo acordou, e uma hora mais tarde estávamos eu e Lewis pedalando até o Mall da cidade pra resolver todos os nossos problemas.

Mais algumas horas e vários dólares depois, todas as missões estavam cumpridas. Daí me dei o luxo de ir na matinê do cinema assistir Dark Knight Rises. Antes das cinco o ingresso é mais barato, e assim confirmei que o cinema vive da comida mesmo – doze dólares por uma porção de nachos, revoltante. Não comprei comida nenhuma e encarei as quase três horas do filme (ótimo!) com fominha. Estou acostumado a ir comendo o dia inteiro, não sei como vou voltar à vida civilizada depois.

À noite os universitários fizeram um churrasco americano (hambúrgueres na grelha) e depois queriam levar todos pra beber, mas eu fui comportado e só comi. Tinha que acordar cedo no dia seguinte, cair na estrada de novo.

Chester, home of Popeye

Quero meu espinafre em lata!

Como era de se esperar, acordei antes dos outros e acabei por sair antes. Durante a manhã, eu esbarrei com outros dois ciclistas que tinham compartilhado a noite com a gente naquele albergue maravilhoso em Hindman, e acabamos por almoçar juntos em Chester, IL, “a terra do Popeye”. Mais divertido que eu esperava: o Subway de Chester serve espinafre entre as folhas. Lewis e Joe chegaram em alguns minutos, e por lá ficamos bebendo os refris com refil grátis por uma hora ou mais.

Dali eu e Lewis partimos numa direção, e Joe e os outros foram em outra. Aleluia! Foi difícil me livrar, mas aconteceu. Agora posso curtir mais a viagem. Infelizmente, era o começo de um episódio chato. No meio da tarde, Quinn, nosso host universitário, começou a nos ligar perguntando se a gente sabia de uma câmera fotográfica dele que estava em cima da mesa da cozinha. Eu nem sabia que ela existia, Lewis tinha visto ela de manhã mas não tinha encostado nela. Passamos o telefone do Joe, que ele não tinha. E até as dez da noite Quinn nos ligou mais algumas vezes, na esperança de que a câmera tivesse se materializado nas nossas bagagens, mas obviamente isso não aconteceu.

Espero que a máquina não tenha sido roubada, e que esteja apenas perdida na bagunça sem fim da república. Porque se ela foi afanada, lá se vai a boa vontade de um host bem bacana para com futuros ciclistas que poderiam precisar de um lugar pra ficar. Sem falar do karma.

Postes de madeira esculpida

Também quero uns postes desses na minha casa, faz favor.