Dar presentes é algo um tanto difícil; principalmente se você gosta da pessoa, e quer acertar. Em geral acho que eu acerto no presente, mas já tive experiências trágicas que me deixaram com medo para o resto da vida de dar um presente de novo para a pessoa em questão.
A tática que eu uso, em geral, é ir num shopping ou similar, bastante grande, e com o perfil de gasto equivalente à quantia que eu quero despender. Tenho que ir com tempo e descansado, porque o processo é simplesmente começar a bater perna em todas as lojas, com a mente aberta e olho vivo, até que o presente pula na sua frente e você sabe que só pode ser aquele.
É raro o presente vir até você, mas acontece.
Mãinha resolveu aproveitar que o tio Émerson queria estrear a piscina que ele construiu no terço que lhe coube da Chacrinha, e combinou com a tia Nilva de fazer o aniversário da Ana Paula junto com o do tio Eraldo. Ter uma irmã doze anos mais nova é um barato, mas dói um pouco no bolso, porque temos uma diferença de idade grande o suficiente para que ela espere ganhar algo do irmãozão. Já estava começando a afiar o All Star, quando a Andréia me mostrou uma boneca transadíssima que uma colega dela fazia. A boneca tinha calça e miniblusa estampadas, colar, pulseira, brinco, piercing no umbigo, bolsa, e era fofa sem ser infantilóide. Depois de vê-la, não tive muito como escapar.
Liguei alguns dias depois para a moça, e encomendei meu presente: uma boneca com o máximo de cara de Ana Paula possível. Tinha que ter cabelo cacheado, óculos e faixa no cabelo. Fiquei de mandar um e-mail com uma foto da Ana Paula, mas complicações no soletrar do endereço não deixaram a foto chegar a tempo.
Mas também não foi necessário. A moça me ligou perguntando se eu queria um piercing no umbigo da boneca (achei melhor não, para que não me culpem se no futuro maninha fizer um), e se minha irmã tem franja (tive que dizer que não, nem nunca teve). A boneca chegou via Andréia alguns dias depois, simplesmente fenomenal. Super moderninha, com os detalhes que eu tinha pedido (note-se que a boneca tem óculos, apesar de não ter nariz nem orelhas…), relógio no pulso, sandália nos pés… Genial.
Mesmo assim, fiquei com um medo da boneca não fazer sucesso com Lirousis. Medo que se provou infundado. Ela gamou no presente no momento em que o viu. Tanto que não queria largar mais dele. Ela a levou para a festa na Chacrinha, e Mãinha teve que proibi-la de ficar com a boneca debaixo do braço, pra não sujar. No fim da tarde, depois de um dia de correria e piscina, Lirousis desabou de cansaço, e daí tive a visão mais recompensadora de todas: ela estirada no colchão, puxando o ronco, abraçada na boneca que eu tinha dado. Nem com Mastercard.
De volta para Camps, a boneca foi parar em cima da cama cor-de-rosa do quarto cor-de-rosa da Ana Paula. Alguns dias depois, ela a levou para a escola, para mostrar pras amigas. Dia seguinte, a boneca foi junto para a aula de sapateado, onde perdeu os óculos. Mãinha ortodontista, no entanto, sendo especialista em dobrar ferrinho, mais que rapidamente providenciou outro par de óculos para a boneca, que continua sua missão de entreter minha irmã até o dia em que a Capricho tomar seu lugar.
nossa marcio
nunca tinha lido isso
e achei lindo
nao sabia q vc tinha tanto medo de dar um presente
mas saiba q td que vc me da eu adoro
bjus
Hey Lirousis!
Que bom que você gostou do texto! Pra mim, o melhor de tudo é você ler, relembrar do ocorrido e dizer que gostou! Te amo muito! M!