Superprodução natalina

Já fazem três anos que eu faço meus próprios cartões de Natal pra mandar pros amigos e parentes. A idéia veio de um livro do Neil Gaiman, no qual ele apresentava um continho de 100 palavras que ele tinha escrito para ser seu cartão de Natal.

Depois que fiz o primeiro, resolvi escaneá-lo e colocar suas páginas aqui no Chão, para que ele durasse um pouco mais. Fiz o mesmo com o do ano seguinte (ele foi escaneado meio descuidadamente durante o Curso Abril, no entanto, razão por que ainda lhe faltam algumas páginas).

A idéia da história do cartão desse ano já havia sido escolhida faz tempo; a história do Anselmo e o porquinho já era meio célebre na família. Dessa vez, porém, eu já sabia que ele acabaria parando aqui. Então me deu um estalo: por que não fazer uma versão on line decente, colorida e animada, pra mandar pras dezenas de pessoas que você deixa de fora da sua lista todos os anos, por não ter tempo de fazer dedicatórias originais para todos? Boa idéia, né?

Ótima idéia. Cujo único problema é que deveria ser executada no fim do ano, quando todo o trabalho da Recesso começa a aumentar, já que tínhamos que deixar edições prontas para sairmos de férias coletivas. Restavam os finais-de-semana, mas em metade deles eu tenho que me dedicar ao Rabisco. Sem contar que eu tinha prometido à Katchu fazer a versão impressa comemorativa do B*Scene. Só eu pra me arrumar tantas ocupações assim.

Mas enfim, de noite em noite, horinha em horinha, consegui criar o cartão, escaneá-lo, colori-lo, e montá-lo no Flash. Depois disso, só faltava fazer as dedicatórias dos 30 e tantos cartões versão papel que eu tinha que mandar para os seletos escolhidos pelo correio.

É uma trabalheira que, no entanto, vale a pena. Os comentários que chegam agradecendo são os mais bacanas. Esse ano, então, por ser sobre porquinhos e sua transformação em ceia, as reações foram as mais interessantes. A Andréia, namorada do Miguel, adorou (ela é vegetariana). A Monica, lá da Recesso, falou que vai acoplar a campanha "Porquinho é Natureza!" à sua já existente, "Samambaia também é gente!". Mas a mais legal de todas foi a mensagem que o Claudio, que também trabalha comigo, mandou, e eu cito aqui respeitosamente:

Adorei sua história animada. Me fez lembrar de minha própria história. Eu cresci numa fazenda e vi essa cena se repetir zil vezes. Entendo bem seu irmão, porque o grito de um porquinho que sabe que vai morrer corta qualquer um ao meio. Eu consegui salvar vários me jogando sobre o matador e fazendo um escândalo maior que o do porco. Não consegui com isso acabar com a matança de suínos. Hoje me limito a não comer carne de porco de jeito nenhum. Nem no Natal.

E assim, a expectativa sobre o cartão do ano que vem só aumenta. O que me preocupa, já que eu não faço idéia sobre o que colocar nele daqui a um ano…