Em 1997, quando eu comecei a fazer sites pessoais pra mim, maravilhado com a possibilidade que o Instituto de Computação da Unicamp dava a seus alunos de colocarem páginas em seu espaço no servidor, fazer sites era bem mais complicado do que hoje. Minha primeira página, tosquinha, foi feita com o Frontpage que tinha no laboratório, mas, quando resolvi aprender a fazer aquilo de verdade, descobri páginas que explicavam o que era HTML e li tudo que podia. Passei anos fazendo minhas páginas no Notepad, com muito orgulho, até que dois anos depois consegui um emprego na Tropeço e passei a usar o Dreamweaver, para acompanhar o ritmo do resto do site.
Naqueles tempos ancestrais, fazer textos falando da sua vida (os chamados journals) requeria estudo (já que tinha que se aprender a fazer páginas) e um pouco de espírito pioneiro, já que quase ninguém fazia aquilo, principalmente no Brasil. E um pouco de reflexão sobre o conteúdo, já que a idéia era atrair milhões de leitores falando apenas do que você comeu no café da manhã. Com o advento do blog aquilo que eu fazia me sentindo super inovador virou carne de vaca. Não só qualquer mané tem seu cantinho na net (milhares deles usando uma mesma template…), como nem se pensa mais no que se coloca – o conteúdo é todo descartável, e os blogs chupinham imagens uns dos outros sem pudor ou remorso.
Bem, not surprisingly, há algum tempo o Anselmo começou o blog dele. E, tendo um irmão que é um profissional do ramo, ele usou suas táticas fraternais (ou seja, basicamente ficou no meu pé algumas semanas, tocando no assunto sempre que me via) para que eu fizesse um lay-out para o blog dele. "Aquela template que eu estou usando é muito verde, parece do Palmeiras", disse meu corintianíssimo irmão. Bem, num sábado em que eu estava particularmente benevolente, eu sentei na frente do computador e disse: "Tá bom. Você tem alguma idéia do que você quer?".
"Não", me responde ele.
Tanto esforço foi despendido pra me convencer a fazê-lo que não sobrou sinapses para Litoubrou pensar no que queria. Começou um longo processo que consumiu dois dias inteiros, em que a seguinte cena se repetia incessantemente:
"Anselmo, esse(a) [cor / título / figura / caixa / etc] está bom?", digo eu.
"Hmmmm, não, não gostei", responde ele.
"Do que exatamente você não gostou?", retruco eu.
"Ah, de tudo", retorque ele.
"Como você quer, então??", indago.
"Não sei, Marcio, você que entende disso!!", fala ele, com a maior cara lavada.
De qualquer maneira, depois de setecentas versões diferentes, eu fiz o lay-out dele, que pode ser visto aqui.
Um pouco de um mês depois, eu descubro que minha prima Aline armou um blog pra Ana Paula. Quem diria, minha irmãzinha, tão novinha, já fazendo algo que seu irmão mais velho precisou entrar na faculdade pra começar a fazer. Como alguém que trabalha numa revista infantil e não resiste à vontade de que sua irmãzinha tenha o blog mais lindo de todos, não pensei duas vezes: peguei algumas noites aqui e fiz um lay-out para o blog dela também. Foi muito mais divertido e fácil fazê-lo para ela, porque, afinal, ela não estava do meu lado opinando e acha tudo que eu faço lindo. E o resultado ficou lindo mesmo, você pode conferir.
Isso tudo levanta a questão de quando eu vou criar vergonha na cara e fazer um lay-out novo para o meu site, o que tem que ser respondido com a constatação de que meu site é muito mais complexo de se alterar que um blog, e fazê-lo requer fotos novas, navegação novas e alterar 400 páginas, o que demora um tanto. Até conseguir fazê-lo, eu posso praticar meus skills de webdesigner nos blogs da primaiada toda, que sem dúvida vai começar a fazer suas encomendas também. Só espero conseguir renovar o meu site antes que a Ana Paula, adolescente, ache seu blog de menininha demais e comece a usar as táticas do Anselmo para que eu refaça o blog dela – com ela opinando…