– Ei truta!
– Oi Lampinho, que que foi?
– Trata de coçar eu aí.
– Pronto, tá feliz agora?
– Eeeeehhhh…. Viu, cadê o João?
– Ele não mora mais com a gente, cãozinho.
– Ué, e quem deixou?
– Não precisa ninguém deixar, a Mariliz chamou e ele foi.
– Mas que que tem lá?
– Tem mais espaço, Lampião. Cê sabe que o João ficava sempre preso no quarto dele.
– Quer dizer que atrás daquela porta tem outro quarto???
– Tem, não sabia?
– Nunca passei da porta, né?
– …
– Parou por que? Coça aí.
– Pronto, pronto.
– Então você vai liberar minha cama, finalmente?
– Não, tô com outros planos pro quarto.
– E quem vai passear comigo quando você viajar?
– Não tem mais ninguém, agora é só a gente.
– Cabou aquele blablablá de vocês dois?
– É, não vou mais ter com quem conversar à noite.
– Menos mal, cansei de esperar pra passear com você enquanto vocês falavam.
– Poxa, cãozinho, fazer o que, a conversa sempre rendia tanto, tanto assunto em comum pra gente colocar em dia.
– Sei lá, depois de 30 segundos era tudo whyskas-sachê pra mim.
– É o bom de morar com um amigo de verdade, a gente pode compartilhar as coisas. A gente até criou um hashtag nas nossas conversas, #coisasqueeusocontoprojoão.
– Hashtag?
– Sabe, do twitter.
– Sei lá, você que tuita pra mim.
– Pois é.
– Ele ficou um tempão, né?
– Nem tanto, foi um ano.
– Ano?
– Sabe, duas vacinas.
– Quer dizer que você vai me dar mais vacina?!
– Não, não, magina.
– Bom mesmo. Coçaí.
– Poxa, deixa eu trabalhar?
– Você gosta mais de coçar esse computador do que coçar eu?
– Claro que não, cãozinho.
– Então coça aqui. O João era bacana. Ele volta?
– Se ele quiser, claro que volta, tem lugar aqui. Mas a princípio não.
– Quer dizer que agora, à noite, você só conversa comigo?
– Isso mesmo.
– Aê. Coça minha barriga agora.