E desde que a Ana Paula começou a atravessar todo o processo do transplante, a chácara entrou em recesso. Não dava pra ninguém fazer um churrasquinho com ela lá. Se não tinha festa pra ela, não tinha festa pra ninguém. A minha família é assim.
E eis que tudo deu certo, e conforme a Ana Paula recuperava as forças e voltava a andar, a animação da família toda foi se reerguendo.
Até culminar no último sábado, data marcada para a festa de aniversário (atrasada) da Ana Paula. No dia do aniversário dela ela estava recém-operada, ainda na UTI, e a gente teve que cantar parabéns sem fazer barulho para não incomodar o resto dos pacientes. Agora a gente ia compensar com todo o barulho que a ocasião merecia, numa daquelas festas do divino típicas dos Carlos.Foi a festa das vontades da Ana Paula. “Ah, será que podia ter espetinho de carne moída?”, disse ela uma vez. Teve. “Gosto tanto daqueles bombons de leite ninho!”. Teve. O bolo, escreveu ela numa cartinha, “não estranhe, tá, a massa podia ser branca, com recheio de doce de leite, cobertura de chocolate, com granulado colorido em cima.” Foi.
Tia Nilva, com todo o talento e capacidade que tem, criou o bolo que ela pediu, mais beijinhos, e brigadeiro de colher, e bombons, e tortas doces, e tortas salgadas… tanta coisa e tudo tão bom, comemos todos até sair pelo ouvido.
Todos foram todos mesmo: amigas da Ana Paula, seis irmãos do meu pai com seus filhos e netos todos, três irmãos da minha mãe com seus filhos e mais netos ainda. Mais primos deles, mais amigos. Quem não se via a tempo matou as saudades, quem não cantava faz tempo cantou, as crianças saíram mais sujas de terra que tatus, os cães corriam de um lado pro outro.
Na hora dos parabéns, eu feliz da vida, Mãinha e Anselmo chorando, todo mundo alegre, as velas que insistiam em serem apagadas mais uma vez. Depois, mais música, mais comida, mais festa, até todo mundo ir sendo vencido pelo cansaço.Foi um pódio para a vitória da nossa irmãzinha, que conseguiu passar por cima de mais esse morro. E a gente fez questão de levantá-la.



que linda!! tem de chorar de emoção mesmo.
bj!
chorei lendo.
acho linda a forma como tu fala da tua família. admiro muito. =)