View Larger Map
Descolar um caminho alternativo que te poupa de dias de morros desnecessários é muito legal, mas usar os mapas da ACA te dão uma segurança e uma habilidade de se planejar muito maior: seguindo o mapa, você sabe qual a próxima cidade em que você consegue comprar algo pra comer, onde dá pra acampar, a distância certinha entre um ponto e outro… sem depender da recepção do seu celular, que, quando se atravessa um continente, nem sempre tem sinal. Então eu e Lewis estávamos já meio ansiosos pra retomar a rota, mesmo que isso significasse fazer um longão. Era uma distância razoável do parque onde tínhamos parado (de grátis, que ninguém materializou pra cobrar) até Chanute, mas na nossa cidade final tinha uma recompensa esperando: mais uma alma caridosa que oferecia a casa via WarmShowers pra gente passar a noite.
Google Maps indicava um caminho em linha reta de onde estávamos até a Prairie Spirit Trail, outra estrada de ferro que converteram em trilha de bicicleta. Obviamente, quando percorremos o caminho, percebemos que a rota incluía estradas de terra, que a gente não tava muito a fim de pegar. Mesmo sendo plana e bem-cuidada, o atrito extra da terra na bike se faz sentir. Vai-se muito mais rápido numa estrada de asfalto. Tentamos evitar o máximo possível, mas chegou uma hora que não deu mais, ou se dava uma volta enorme ou se pegava a estrada de terra por uns quinze quilômetros. Então por terra fomos, atentos para não ter que brecar de surpresa (porque você freia mas a bicicleta, sem atrito por causa da terra, segue), e eu me sentindo de volta ao império romano.
A decepção foi que a Prairie Spirit Trail, que a gente sabia que ia ser um caminho de terra batida e tal, estava pior conservada que a estrada de terra que a gente teve que encarar. Por conta do calor e de alguns incêndios, ela estava CHEIA de rachaduras. Não dava pra olhar pro velocímetro sem correr o risco de cair numa fenda. E sertão é sertão: as poucas árvores que havia no caminho não prestavam pra muita sombra. Quando chegamos na metade da trilha, Lewis cansou de terra, e pediu pra gente partir pra estrada de asfalto mesmo, que corria paralela à trilha e tinha um bom acostamento. Sem problema, e lá fomos. Mas parece que é castigo, deu quinze minutos e meu colega ganhou outro pneu furado, desses furinhos que vão esvaziando o pneu ao longo de torturantes minutos. Então pedalávamos por alguns quilômetros, parávamos, ele enchia o pneu, e continuávamos, até encontrar um Wal-Mart na cidade em que a trilha acabava. Lá ele trocou o pneu, enquanto eu recarregava as baterias e o estoque de bebidas.
Nossa host do WarmShowers mandou um torpedo nesse momento dizendo que a comida estaria pronta em pouco mais de uma hora, onde estávamos? Respondemos dizendo que já já a gente chegava. E pedalando fomos. Ela ainda se ofereceu pra nos buscar de carro, mas isso seria trapacear e recusamos educadamente. Por sorte, o resto do caminho era numa estrada ótima, o finzinho da tarde estava fresquinho, e assim nós VOAMOS até Chanute. Sério, batemos nosso recorde de velocidade, deu até pra usar as marchas mais altas.
E valeu a pena. Nossos bondosos hosts para a noite eram Sharon e Mark, um casal de meia-idade, ele banqueiro, ela dona-de-casa. Casa superbacana, comida gostosa, quarto com duas camas, chuveiro quente e limpinho, internet, máquina de lavar roupa… tanta alegria junta que a gente mal se podia de contente. E eles superlegais também, puxavam assuntos interessantes, deu pra conversar bem.
E ainda rolou um sorvete antes de dormir. Essas pessoas boas… espero que juntem um karma bem positivo e vão pro céu direto.



