Esses planos sempre começam sorrateiros.
Eu adoro viajar. Acho que é o dinheiro mais bem gasto que alguém pode investir. Desde que comecei a ganhar minha própria grana, eu me viro pra fazer acontecer umas férias compridas com viagens pro exterior todo ano. Morro de orgulho do meu passaporte carimbadão e, devo admitir, nos últimos anos esse blog só funcionou quando eu tenho viagem pra contar.
Já fiz o caminho de Santiago, já bicicletei pela Europa, já mochilei por outros lugares da Europa. Não faço questão de grandes confortos e gastos se com um orçamento modesto eu vejo mais coisas. Não tenho medo de aventura, e uma das razões por que tenho sempre viajado sozinho é o medo de envolver outrem nas roubadas que eu posso (com alegria) me meter.
E disso tudo, faz um ano e meio, me brotou a ideia: e se eu viajasse MUITO? Uma viagem gigante, na velocidade da bicicleta (que é a ideal, eu acho), vendo um monte de paisagem e dividindo isso no meu mundinho digital? A ideia foi maturando, o mapa foi clareando, e cheguei ao desfecho dessa pensação toda: eu bem que podia cruzar os EUA de bicicleta.
E por que não? Eu adoro andar de bike, meu mundinho imaginário interior é todo estadunidense (alienado, eu?), e na real desde que eu tinha feito intercâmbio pro Oregon, aos 15 anos, eu não tinha voltado ao lar dos nossos porcos imperialistas. É um continente que todo fala uma língua que eu entendo, e civilizado o suficiente pra eu nunca me achar longe demais da água encanada.
Fiquei juntando informações, pesquisando rotas, acumulando coragem. Comparei as rotas profissionais, pessoais e monetárias, e cheguei à conclusão que era esse ano ou nunca. Respirei fundo, comprei as passagens, e pronto: não tinha mais volta. Eu ia pedalar do oceano Atlântico ao oceano Pacífico, em 70 ou 90 dias, acampando pelo caminho. A rota: a Transamerica Bicycle Trail, da Virgínia ao Óregon.
Obviamente não vai ser moleza, mas dessa vez estou com expectativas mais realistas, e não vou fazer mais loucuras como pedalar 170 km num só dia. Estou mais treinado, assessorado por nutricionista, mais bem equipado (hoje em dia o iPhone faz milagres!).
Mas como toda boa sequência, os personagens principais se mantêm: Angelana Paula, minha intrépida bicicleta, vai me levar de um lado ao outro do continente; Iracema, a barraca, vai me proteger todas as noites também.
Esse sábado eu embarquei de SP para Washington DC, onde fico por quinze dias terminando a preparação para a viagem. No começo de julho, ponho o pedal na estrada. Mais uma jornada vai começar.

Boa sorte na viagem!