20100509

Explorando Seul: transporte

A primeira experiência que se tem com Seul per se é o metrô, que se espalha pela cidade inteira. As linhas que levam aos dois aeroportos não entram oficialmente na contagem de linhas de metrô, mas a diferença na prática é bem pouca. Além dessas duas linhas (para os aeroportos de Icheon e Gimpo), existe nove linhas e centenas de estações, numa eficiência que deixa Sampa no chinelo.

Para nós, estrangeiros que não falamos um ba sequer de coreano e somos analfabetos na escrita hangeul (anhangeuletos?), a outra opção de transporte público, o busão, é impraticável – como acompanhar as placas dos caminhos e pedir pra alguém te avisar quando você chegar no ponto certo?

E mesmo de metrô a coisa não é simples. O mapa da malha de metrô tem a versão em letras romanas do nome de cada estação, mas tão miudinho que nunca se decifra o que está escrito sem esforço. E são tantas estações… Atenção constante para não passar da estação em que se quer descer, não pegar a baldeação para o lado errado e tantas outras emoções.

Litoubrou já ficou bem esperto nos meandros metroviários de Seul nesses dois meses que passou no país, e conseguiu exibir bem seu know-how no percurso do aeroporto para o hotel onde mora. O que não o impediu de pagar o mico dos desorientados, por conta de outra das facilidades traiçoeiras do metrô aqui: as saídas. Todas as estações têm um número imenso de saídas, oito, dez, doze… prático pros locais que sabem aonde vão e conseguem ler placas. Já pra nós…

Anselmo quis descer numa estação perto do hotel com a qual ele não está tão familiarizado. Saímos pela saída errada, e pronto, quem disse que ele conseguia se situar? Eu, que já seria inútil em qualquer lugar por conta do cansaço, numa cidade desconhecida e ininteligível era mais peso morto que uma âncora. Ficamos uns bons quarenta minutos rodando a área em que ele mora, ele tentando localizar um ponto de referência familiar, e eu lutando pra seguir em frente, seguindo-o obedientemente.

Ontem, sábado à noite, decidimos ir para Itaewon para ver como é o agito foreigner-friendly. Armados de nossos cartões de metrô, saímos tarde da noite com o trajeto (uma única baldeação) planejado. Na hora de trocar de uma linha para outra, no entanto, fomos gongados: a estação estava fechando, ninguém mais podia trocar de linha. Valentes que somos, decidimos caminhar pela superfície o trajeto de três estações de metrô que nos separavam da balada.

Passamos por quebradas escuras que seriam mendigódromos pavorosos em Sampa, mas em Seul eram apenas tenebrosas, sem ninguém habitando-as. Atravessamos avenidas mais largas que o Amazonas via passarelas tão altas e longas que valiam uma aula de step. Meia hora de caminhada, e chegamos a nosso destino.

Itaewon é o bairro onde os americanos se instalaram depois de separar a Coreia do Sul da do Norte, então a quantidade de gringos é bem grande – encontra-se até, olha que chocante, negros. Cheia de bares e danceterias, é o lugar ideal pra quem quer ver gente – mesmo que grande parte esteja trançando as pernas e gorfando depois de tomar muito soju, a cachaça típica dos coreanos.

Três bares, duas cervejas, um mojito e um margarita frozen depois (quem nos conhece adivinha quem bebeu o que), era hora de ir pra casa. Sem metrô, nos restava o táxi. Anselmo, já preparado, tinha um cartão com o endereço dele escrito em hangeul, mas aparentemente não serviu muito pra situar o taxista. Então ficamos que nem dois pamonhas falando nosso ponto de referência: “Chungmuru! Chungmuru Station!”, até o motorista fazer cara de quem entendeu. Daí é sentar e rezar pra que ele nos leve pro lugar certo mesmo.

E não é que levou? Quando vimos, estávamos na estação de Chungmuru; explicar pra ele que tinha que ir um pouco mais pra frente, pra nos deixar mais perto de casa, foi todo outro parto. Mas conseguimos. Eram já passadas as três da manhã, ninguém na avenida que tínhamos que cruzar pra chegar na ruela do hotel, resolvemos fazer uma brasileirada e atravessar fora da faixa, pulando por cima da cerquinha entre as duas pistas da avenida. Quase que tomo na cabeça: a cerquinha, que parecia tão sólida, era de plástico molenga. Me apoiei nela pra saltar por cima, ela cedeu, eu perdi o equilíbrio e por pouco não desabo sobre o braço esquerdo, ganhando outra fratura. Na Coreia, melhor fazer como os coreanos e atravessar na faixa.