20100516

Explorando Seul: comida

Anselmo está vivendo seus meses no paraíso gastronômico. Sim, porque ele está vivendo em Seul, uma cidade grande, cosmopolita, com gente do mundo inteiro, e… um Dunkin’ Donuts a cada duas esquinas.

E isso não é exagero. Existe mais Dunkin’ Donuts em Seul do que os McDonald’s e os Burger Kings somados. Em toda saída de metrô, em todo shopping center, em qualquer lugar que passa gente, você vai olhar em volta e não custar muito pra achar um. Isso quando ele não vem até você. Numa saída de estação de metrô, por exemplo, em que a escada rolante era seguida por outra que levava a um shopping, as mocinhas do DD armam um tabuleiro ao lado das escadas e ficam lá chamando as pessoas pra comprar um donut. Anselmo tem que praticar um exercício constante de autocontrole.

A tara por Dunkin’ Donuts talvez seja por conta de outra paixão coreana: a pimenta. Pimenta pra eles é como o sal para os brasileiros. Não pode faltar em qualquer prato decente. Em Campinas eu tenho um amigo, o Kil, cujo pai é de família coreana. Ele e sua família já assustaram atendentes de restaurantes mexicanos ao pedir que colocassem mais pimenta no chilli con carne, porque estava muito fraquinho; quando o prato voltou, ainda completaram com alguns jatos de tabasco para deixar no ponto. O que eu achava que era uma característica dos Brandini Park na verdade é algo cultural.

Na minha primeira refeição na Coreia, por exemplo, eu e Anselmo vimos um cardápio, e ele, mais aclimatado, resolveu apostar num prato que tinha uma pimentinha desenhada ao lado do nome. Eu, ainda chegando, resolvi pegar leve e pedir só uma salada. Pouco depois, os pratos chegam. Anselmo come seu saboroso prato feliz da vida. Eu como minha salada entre lágrimas, porque o tempero tinha pimenta para abrir o crânio. A cada garfada, a cena ia ficando mais patética: o rosto suando, o nariz escorrendo, a boca em chamas, goles d’água para conseguir terminar de mastigar a comida. E esse nem era considerado um prato apimentado no cardápio.

Felizmente, nem tudo se resume a pimenta. Em outro restaurante, pedimos um prato tradicional que basicamente consiste de pedaços de carne grelhados. O barato é que as mesas têm um buraco no meio, em que colocam brasas, e por cima uma grelha, e assim os comensais vão grelhando suas carninhas com os hashis enquanto conversam. Sendo cozinha coreana, acompanhando havia dentes inteiros de alho, molhos de pimenta, cebola em conserva. Mas tudo bem gostoso. A velhinha que nos atendeu, provavelmente já escolada na manezice dos ocidentais, tratou de ela mesma grelhar as carninhas pra gente e só foi cuidar da vida quando os pedaços já estavam cortadinhos e coradinhos.

As franquias internacionais tentam atender os gostos locais, obviamente. Então você vai para o McDonald’s e pede um exclusivo Shanghai Burguer, morde, e daí, já começando a fungar, bebe um gole da sua coca-cola para aplacar a pimenta. O Garlic Roast do Burguer King? Idem. Apesar de que esse último, que experimentei ontem, já não me causou tanta comoção. Acho que estou ficando acostumado.

O que me falta experimentar ainda antes de seguir para a China é o sorvete de chá verde. Tem potinhos disso vendidos pela Haagen Dasz, e o McDonald’s tem McFlurry de chá verde. Há de ser uma experiência interessante. E, espero, sem pimenta.

One Response to “Explorando Seul: comida”

  1. Andreia

    Dear!!! Nao sabio que voce ja estava ai! Quantas aventuras!
    Um beijo pra voce e outro pro Anselmo.
    Tenho um papinho de trabalho pra ter contigo, queria te indicar pra uma amiga aqui. Mas no worries, no momento oportuno conversamos.
    E forca e coordenacao con os hashis!