O meu grande objetivo aqui nessa fase londrina das minhas férias é ter uma experiência de turista que eu nunca consegui ter quando morava aqui em Fog City. É supernormal isso acontecer: cariocas nunca vão visitar o Pão de Açúcar, paulistanos não frequentam o Masp, e assim sendo quando eu morava aqui eu tinha que aproveitar quando amigos turistas vinham para pegar carona nos passeios deles e turistar um pouco também.
Da entrada da minha academia aqui eu via sempre o Museu de Londres, mas nunca me animei a encarar o quarteirão que nos separava e entrar nele. Isso porque aqui em Londres todos os museus são gratuitos, então realmente era só se dar o esforço. Mas isso ia acabar. Porque agora, depois de ter matado as saudades das ruas de Londres, era hora de encarar os museus. E o Museu de Londres estava no topo da lista.
O outro grande motivo para isso, claro, era que esse museu fica a três quarteirões do prédio do Roger. Mais moleza do que isso, só se viessem me buscar e me carregassem nas costas. Assim sendo, coloquei meu casaco mais quentinho (já tá frio por aqui) e fui desvendar a história da cidade.
Os museus de Londres são uma maravilha mesmo. São todos bem cuidados, limpinhos, bem iluminados e nunca têm cheiro de velho. Existe toda uma preocupação de, não importa o tema do museu, se tornar o ambiente agradável, o assunto acessível e, mais bacana ainda, interessante para as crianças. O Museum of London é um grande exemplo disso. Ele conta toda a história da cidade, desde a pré-história até o incêndio da cidade em 1666 (o resto da história mais recente virá numa expansão do museu, já sendo construída). Existe um monte de coisas para se tocar, várias reconstituições de ambientes, principalmente romanos, e um monte de coisinhas iterativas para as crianças brincarem.
Eu, que me sinto mal de não ler todas as legendinhas para cada objeto, tendo a demorar horrores em museus, o que cansa. Demorou umas duas horas para eu admitir a mim mesmo que eu não precisava realmente saber detalhes sobre como se fazia vidro em 200 d.C. Superada essa limitação, consegui me concentrar em coisas mais interessantes: Westminster, por exemplo, era uma ilha! Que pena que aterraram, Londres hoje podia ser chique que nem Paris, mas o que fazer. Metade da população morreu no primeiro ataque de Peste Negra; alguns séculos depois, 2/3 da cidade queimou no incêndio. Quando começaram a reconstruir, vários arquitetos propuseram traçados novos para a área destruída, mas, por falta de dinheiro, o rei resolveu reconstruir tudo com o traçado que já havia antes, o que é uma pena também.
Depois de quatro horas de pé, saí do museu e fui andar mais um pouco, claro. Dei uma esticada até a Catedral de São Paulo, só pra falar oi, e descobri que haviam reformado várias áreas em torno dela: ruas foram fechadas só para pedestres e revitalizadas, tornando-se praças e bulevares super escovadinhos com nomes como “Pater Noster Alley”, “Ave Maria Lane” e “Amen Street”. Seguindo a sinalização para turistas, fui parar em Flint Street, pela qual eu já tinha cruzado inúmeras vezes mas nunca tinha me interessado porque não conhecia o Sweeney Todd ainda.
De passo em passo, resolvi dar um oi para os leões de Trafalgar Square também, e de lá comprar as encomendas antes que eu acabasse me embananando com os dinheiros que me foram dados. Durante essa jornada, me deparei com três protestos: um pela democracia no Zimbábue (que vem acontecendo todo sábado no mesmo lugar desde 2002), outro na frente da National Gallery pela liberdade de imprensa na Itália, e por fim um em Oxford Street contra as vacinas de gripe suína. Mas eu não podia me concentrar muito nessas causas tão nobres: os valores na minha carteira, e, depois, nas minhas sacolas, me deixavam na nóia demais para me preocupar com as demandas alheias.
Pra aumentar a nóia mais ainda, resolvi pegar o ônibus para voltar pro apê, mas entrei pela porta errada, que não tinha o leitor de Oyster Card pra eu pagar a passagem. Como o conceito de cobrador não existe nos ônibus de Londres, e não dava pra chegar na porta com o leitor para que eu conseguisse pagar, fui seguindo e seguindo sem pagar nada. A cada parada, minha convicção de que a palavra CALOTEIRO estava estampada na minha testa crescia mais, e que a qualquer momento um fiscal ia descer do andar de cima do ônibus, conferir meu Oyster Card e ver que eu estava lá sem pagar. Eu já tinha toda uma história de como eu era brasileiro e anarfa para me justificar caso isso acontecesse (a reputação brazuca ia ganhar mais uma manchinha, mas oh well, ela nunca foi limpa to start with) quando eu cheguei no ponto em que eu tinha que descer. Tanto tempo em Londres, e fui deixar pra pegar busão de graça quando estava de turista.
No fim da noite fui com o Roger assistir a District 9, um filme de ficção científica do jeito que eu gosto: não é um filme SOBRE alienígenas, mas sim sobre as coisas que os humanos fazem de mais humano, numa situação que no caso calha de ter alienígenas. Acho que ele não começou a chegar nas costas brasileiras, mas quando chegar, vão ver, vale o ingresso.
Olá Márcio!
Até que enfim se blog reencarnou!!! Beijos!
Kika.
Que medo de ser caloteiro, heim???
Caloteiro não tem problema , anarfa depois de ter morado lá mais de um ano é pior!!!!
Beijos!!!Mã