Comeco esse post avisando que estou num computador velho e sem memória, cujo teclado come os espacos e nao dispoe nem de til nem de cecedilhado. Quaisquer erros devem ser considerados sinais de autenticidade, nao de ignorância.
Ah, as delícias de voar low-fare. Você basicamente vende a sua paz de espírito e seu conforto por um voo ridiculamente barato. Que pode ficar bem caro num piscar de olhos, e cuja vantagem de tempo acaba nem sendo tanta assim em muitos casos. Como o meu.
Meu vôo saía do aeroporto de Beauvais,que simplesmente fica a uma hora e quinze de Paris.Pra chegar lá, deve-se ir até uma estacao de metrô quase no fim da linha um e pegar um ônibus meio que fretado pela companhia. O que nao o faz ser de graca, pelo contrário, custa 13 euros, o que por si só pode acabar custando mais que a passagem de aviao.
Como recomendam que você faca check-in duas horas antes do voo sair, o ônibus sai três horas e meia antes da sua decolagem. Ecomo o amor por filas nao é exclusividade dos brasileiros, o povo comeca a se enfileirar na frente de qualquer onibus que esteja parado no estacionamento-ponto-de-onibus quarenta minutos antes de se ligar o motor. Onibus avancando pra cima das filas na intencao de chegar ou sair nao foram cenas incomuns.
Depois de ser rejeitado no primeiro onibus porque tinha lotado e ter que pegar o ao lado, que na verdade era pro povo do voo para Alicante mas que juravam que me deixaria no mesmo lugar no mesmo horario, tentei recuperar a forma da minha autoestima, mas nao consegui fazê-lo por muito tempo. Porque ao chegar no aeroporto, depois de uma hora e vinte de sono, vem a humilhante parte do check-in.
Você,que já pagou um extra para poder levar uma bagagem na sua viagem, descobre que há um limite de quinze quilos de peso. E que a sua mala pesa 19. Entao toca abrir a mala na frente do balcao, tirar todas as cuecas do topo da mala e comecar a colocar revistas e entuchar camisetas na minha mochila, que iria como bagagem de mao. Quatro quilos e meio de camisetas e revistas na pobre mochila que já nao estava vazia. Ela mal se aguentava.
Acabou? Nao. Pra entrar na área de embarque, sua mala de mao tem que caber na grade-teste pra garantir que ela nao é ridiculamente grande. E minha mochila, agora estufada com camisetas, nao encaixava. La fui eu reorganizar tudo, jogar xampu fora e otimizar espaco, sem sucesso, pra faze a pobre encaixar na grade. Tanto fiz e refiz o tetris da minha bagagem que o comissário na frente da porta disse que estava bom assim mesmo e medeixou entrar.
Entao chega a temida hora do raio-x. Nao basta deixar mochila, chave, jaqueta e o coracao na esteira. Voce tem que deixa seu cinto. E, atencao: depois que a mochila passa no raio-x, aquele seu tubo de talco é suspeito, seu perfume e seu desodorante tem que ser colocados numa bolsa plástica, e sorry, mas seus óleos pós-banhos sao grandes demais pra embarcar.Conforme-se em ficar com a pele ressecada se quiser voar low-fare.
E tudo isso pra… ficar uma hora e meia esperando pra embarcar. Sem cadeiras pra todos, o povo se encostava na pequena área dos 3 portoes de embarque como podiam. Os mais empreendedores já comecaram a formar fila assim que descobriram em que portao embarcariam. Eu, na certeza de que nao voariam sem mim, fui um dos últimos a embarcar, e descobri que nao tinha mais bagageiro pra colocar minha mochila estufada. Mas, escolado, rapidamente a coloquei sob o banco da frente, me apertei com as outras sardinhas e lá fomos em nossa lata voadora para Madri.
Sair do voo depois de aterrisar foi outro suplício de mais de meia hora, mas pelo menos o aeroporto de Barajas em Madri tem metrô ligando direto e em apenas uma hora e meia eu estava chegando no albergue. Às oito e meia da noite. Depois de ter saído da casa do Michael às quinze pro meio-dia. Estou certo de que uma viagem de trem teria sido mais confortável e demoraria pouco mais.
Mas nao nos concentremos nas tristezas, que depois de umbanho e um pulinho no supermercado eu já estava pronto pra conhecer a cidade. Como eu AMO esse momento de explorar uma cidade nova. Se perder, descobrir novos nomes de rua… eu viajo pra isso. Peguei um mapa no albergue, pedi umas orientacoes e deixei a rua me levar.
Os espanhóis fazem tudo mais tarde, entao as dez da noite estao todos na rua. O albergue é super bem localizado, depois de cortar poucas ruazinhas cheguei na Gran Via, subi e desci e cortei outras calles até cansar e parar num bar bem simpático. Pedi um mojito, que eu merecia, sentei na praca em frente e fiquei lá me sentindo feliz.
Hoje tinha almoco com o pessoal da Runner’s Espanha.Que, como todos os bons espanhóis, almocam só às duas da tarde. Entao tirei a manha para explorar mais. Caminhei até o Palácio Real, consegui ver a troca da Guarda no nível série B (a troca “solene” só acontece na primeira quarta-feira de cada mês, nas outras quartas eles fazem uma versao pokémon só pra nao deixar a turistaiada na mao) e dali fui andando para a Porta do Sol, para a Gran Via, para o Monumento da República, e desci pelo parque do Bom Retiro. Estava um dia lindo de sol, e eu fiquei feliz de estar ao ar livre cultivando um pouco de melanina. No caminho, várias feiras de livros usados, olha que pitoresco. Depois de sair do parque, contornei por fora do museu Reina Sofia e cheguei na rua da Motor-Press, que publica a Runner’s.
Dessa vez a ginga brasileira venceu novamente a seguranca, mas por W.O. Tinha um povo entrando ao lado da cancela na frente do prédio da editora, entrei junto. Na recepcao, nao tinha ninguem pra atender. Entao esperei uma mocinha entrar, perguntei em que andar ficava a Runner’s, ela disse que no terceiro, entrei no elevador e subi. Devia ter pegado umas revistas também, mas daí ia me complicar mais ainda no próximo voo da Ryan Air.
O almoco foi muito bacana, e foi meu primeiro grande teste de castelhano desde que saí de Barcelona em 2005 -onde, aliás, falam catalao, eu sei, esse post tem falta de espacos mas nao de cultura.Mas lá eu falava castelhano. Os editores disseram que eu falo bem, entao tá.Só sei que no fim do almoco eu estava com estafa mental e, enquanto eles falavam animadamente de futebol e Ronaldos, eu mais uma vez tive um momento Ana Paula, sorria e concordava com a cabeca.
Meu plano era andar pelas duas horas seguintes para pegar um tour guiado de bicicleta pelas margens do rio Manzanares, organizado pela prefeitura. Mas cheguei no lugar de partida no horário que informava o folheto, e a moca me disse meio sem graca que o folheto estava errado e o tour tinha saído às cinco. Fiquei meio puto, mas estava sol e a moca foi gente boa, entao passou logo. Voltei a dar voltas pela cidade, comprei um livro novo (Inés del Alma Mía, da Isabel Allende, pra substituir A Viagem do Elefante, do Saramago, que terminei ontem), comprei alguns suvenires pra família, e fiquei andando e vendo a cidade anoitecer.
E olha só, acabei de descobrir onde fica o ç no teclado aqui do albergue. Os próximos posts terao apenas faltas de til e de espaços, que maravilha.
Meu amor, fiquei aliviada em saber que pelo menos até o dia 14 vc estava respirando……. cachorrinho sem dono!!!
Sua Mãe pede notícias, beijos morrrreeeeennnndo de saudades
Mamadi
Ooooiiii
Fique com muita dó de vc pq perdeu um monte de coisas xampu desodorante revista etc e tal
Fique imaginando a sua cara de tipo ” mas e as minhas revistas , eu quero elas , deixa eu ficar deixa deixa deixa eu faço qualquer coisa” mas tb nao so com as revista com a outras coisas tambem .
Acabei de descobrir que ta caindo mor pe d’agua la fora.
E é o que eu sempre digo “sorri e concorda ” pra qualquer situacao isso sempre funciona.
Beijos
Paulinha **
Você devia mandar a sua experiência com low-fare para a Fernanda Young ou para a Denise Fraga… dei muita risada! Beijos Dan
ai danilo tadinho fiquei com muita dozinha dele ele tipo perdeu monte de coisa