Troca de mídias

"Até parece verdade!"

"Até parece verdade!"

Há poucos meses, ao saber da estreia de Viagem ao Centro da Terra 3D, eu disse para o Anselmo: “É, Litoubrou, escreva o que eu te digo, em 10 ou 15 anos todos os filmes serão em 3D”.

Ele duvidou. Aliás, ainda duvida. Tem certeza que os filmes 3D vão ficar restritos a animações para crianças e filmes superpipoca. Filmes sérios e dramáticos (ou mesmo comédias ou quaisquer que não se apoiem em cenas mirabolantes de ação) vão continuar como os vimos hoje em dia, diz ele, simplesmente por não carecerem de efeitos 3D.

Eu discordo – tanto que escrevo aqui no Chão, deixando algo pra usarem contra mim se daqui a dez anos isso não se concretizar. Mas explico por que creio que em menos tempo do que imaginamos a imensa maioria dos filmes vão ser tridimensionais.

Qualquer um que já assistiu a mais de duas cerimônias do Oscar já viu aquelas sequências cada vez maiores em que eles passam clipes de todos os vencedores de melhor filme desde a primeira edição até a última. Além do efeito meio desolador de que uma imensa maioria dos filmes já foi esquecida pelo mundo hoje em dia, nota-se outra coisa: um monte de filmes em preto-e-branco, de repente surge … E o Vento Levou, colorido, e daí o seguinte volta a ser em preto-e-branco, e vai rolando uma alternância entre cor e PB por um tempo, até que todos passam a ser coloridos.

Pra mim o que aconteceu é bem óbvio: quando surgiu o technicolor e de repente se podia fazer filmes coloridos, sendo um processo caro, reservava-se isso para filmes “dignos” de tal, épicos e megahistórias. Com o tempo, conforme o processo ficou mais barato, ficou mais comum, até chegar o dia em que quando se pensa em fazer um filme, não é mais uma questão se ele vai ser colorido. Na verdade, se ele não for, daí sim existe uma intenção épica/artística por trás da escolha.

Seguindo a mesma lógica, hoje os filmes 3D acontecem apenas naqueles em que fazê-lo é mais fácil (animações) ou filmes tão qualquer coisa que a única maneira de trazer algum interesse para ele é exibi-lo em três dimensões. Mas, considerando-se que em breve chegará o dia em que as pessoas vão baixar um filme com a mesma rapidez e falta de esforço com que se baixa uma música agora (“só uma música? Não, baixa a discografia dele inteira de uma vez!”), é bem claro que os estúdios vão buscar algo que faça a experiência na sala de cinema torne-se mais única. Ver uma imagem gigante com profundidade might just be it. E o preço do processo vai baixar, com certeza. Portanto, reafirmo: não vai demorar tanto para que todos os filmes sejam automaticamente em 3D.

Outra coisa que com certeza já está indo pro ralo? Jornal em papel. Revistas também. Pelo menos nessa proporção devastadora (de árvores) que rola hoje em dia. O e-book está aí, e por mais que ele custe a chegar nas nossas praias, ele vai chegar. Logo logo, ao se fazer a assinatura do seu jornal ou revista, haverá uma opção (mais barata, espero) para que se faça o download dela no seu reader. Vai ser o fim das toneladas de papel norueguês trazidas a peso de ouro, das revistas que chegaram na banca mas não aportaram na sua porta ainda… e, como designer, as possibilidades de design que vão se abrir são inimagináveis.

Quem duvida, veja o que já está sendo feito nesse vídeo da BBC.

One Response to “Troca de mídias”

  1. Litoubrou

    Manobroda, continuo discordando e explico o porquê. A mudança de filmes preto e branco para coloridos não pode ser comparada com a de 2d para 3d. Isso porque quando os filmes ficaram coloridos se aproximaram mais da nossa realidade. Ficaram, portanto, mais palpáveis. Com o 3d não acontece o mesmo. Ele extrapola as nossas percepções, torna o filme mais lúdico. Quando falamos de uma animação ou filmes repletos de efeitos especiais talvez seja interessante. E não há dúvidas que uma quantidade maior de filmes serão produzidos com esse objetivo. No entanto, quando o objetivo do filme não for a invencionice visual, não há necessidade. Não há motivos para uma comédia de Woody Allen ou um drama de Stephen Daldry ser 3d. Não é interessante para o público que as caretas de Jim Carrey tenham profundidade visual.