Uma das características mais peculiares das mídias online é que, quanto mais sucesso se tem, mais prejuízo ela dá – os custos de banda aumentam e aumentam, mas muitas vezes a publicidade não acompanha. Na Abril, há pouco mais de dois meses baixaram uma determinação de que cada redação pagaria a banda que consumisse, e assim de repente sites que davam um dinheirinho passaram a ficar no vermelho. Os vídeos foram todos migrados para o Youtube (que é banda alheia de graça, afinal), e todos os JPGs passaram a ser de baixa qualidade.
O Gawker criou um conceito que ainda não chegou por aqui, mas não duvido que vai desembarcar mais cedo ou mais tarde: paga-se o jornalista pelo número de acessos que seus artigos têm. É um conceito cruel por si só, mas, num meio em que cada vez mas se exige o máximo pelo mínimo, e, se não estiver contente, tem outros três que topam fazer o que você não quer, não surpreende que o site funciona. Afinal, é uma forma de meritocracia, certo?
É mas não é. Pelo terceiro trimestre seguido, o Gawker reduziu o valor por clique pago a seus jornalistas. Inicialmente se pagava US$ 7,50 por 1000 pageviews. No trimestre seguinte, o pagório caiu para US$ 6,50. Agora baixou para US$ 5,00. E era pra ser US$ 4,15, comunicou o diretor Nick Denton, mas ele foi joinha e conseguiu deixar a taxa por cincão. A razão? O site faz tanto sucesso que o custo com banda foi para as alturas, e, para a conta fechar, o dinheiro tem que sair de algum lugar. Então, se você quer continuar ganhando o que ganhava no começo do ano, dê um jeito de escrever matérias que atraiam ainda mais pageviews… consumindo mais banda. O que pode vir a baixar ainda mais seu salário.
E tem gente que acha que vida de jornalista é só glamour.
Quem acha que a vida de jornalista tem algum glamour? Quando eu penso em jornalista, eu imagino o Philip Seymour Hoffman, de barba rala e três dias sem dormir, fumando um cigarro atrás do outro. Ou na Lois Lane.
Pois é, a pobreza é a nossa sina! Mas pelo menos faço o que gosto…