9 de fevereiro: Chego à conclusão de que está mais do que na hora de transformar em realidade meu tão postergado projeto de fazer uma versão totalmente em flash do Chão. Começo a raciocinar os ondes e comos e quandos.
10 de fevereiro: Eu acordo depois de ter sonhado a noite inteira com o refazer desse site. Me dou conta que me fudi porque, se não resolver isso agora, não vou ter sossego. Vou pedalando pra aula de guitarra planejando o visual de tudo. Na volta, está fazendo um sol bonito e inesperado, eu paro na frente do palácio de Buckingham, boto a câmera no chão e tiro fotos para a versão nova. Trabalho na Jungle à tarde, e, à noite, retorno para casa e ponho-me a trabalhar na primeira questão: como fazer o Flash carregar os textos conforme necessário, algo que eu nunca tinha feito antes.
11 de fevereiro: A missão foi mais difícil do que eu imaginava; incluiu entender exatamente como o Flash carrega variáveis, refazer os arquivos, que não podiam ser html, e tirar toda a formatação especial de acentos com a qual me preocupei tanto pelos últimos três anos. Parto para a próxima questão, fazer os anos crescerem e mudar de cor dependendo da posição horizontal do mouse, imitando o dock do macintosh. Horas e horas aprendendo a como rastrear a posição do mouse, posições relativas e absolutas, propriedades dos objetos globais… Devo ser uma das pessoas que mais lê o help do Flash. Depois de um dia dedicado a fazer isso dar certo, testando o efeito, eu chego à conclusão de que não gostei, e descarto tudo por uma outra versão mais simples que engasga menos.
12 de fevereiro: A disciplina nas aulas de ioga é a primeira a ir pro ralo, já que eu resolvo não desperdiçar tempo indo fazer ásanas quando tenho que descobrir como fazer scrolls. Me meto em profundidades de programação em que eu não me enterrava desde que estudava no COTUCA e fazia projeto de C enquanto condenava a Mary a fazer projeto de Cobol. O dia se esvai e eu nem noto; no começo da noite, os textos estão rolando como eu queria. Limpo as tabelas e acentos de todas as 184 entradas do Chão, e daí descubro que, por um pau de fonte, em 95% deles os textos aparecem sem acentos. Busca ensandecida noite a dentro por uma fonte que substitua a que eu tinha escolhido antes, em vão. Uma conversa com Léo Favre via MSN me faz decidir que apenas um PC poderá me ajudar nessa hora de angústia, e eu vou dormir para sonhar com ActionScripts.
13 de fevereiro: Três dias de flash; já estou enlouquecendo. Ir trabalhar na Jungle fazendo páginas, algo que eu tenho total domínio, é um descanso bem-vindo. Mas não dura muito; o laptop olha pra mim, eu olho pro Flash no PC da Jungle, copio os arquivos de um pra outro, e volto ao site. Vejo dezenas de fontes de texto e escolho uma que me parece boa; a insatisfação com a fonte dos títulos chega ao ápice, e eu resolvo voltar pra fonte velha de guerra do Chão que venho usando pelos últimos 2 anos. Descubro como chamar funções no Flash por meio dos arquivos HTML e assim refaço os arquivos de entradas. Resta então respirar fundo e ir mexer nas templates do Blogger pra que ele converse com a nova versão em Flash. Quando mexo na template, o sistema se atualiza para a versão mais recente (fazia anos que eu não mexia nas templates do blogger…) e muda o funcionamento do treco. Meus planos vão por água abaixo e eu tenho que pesquisar como o maldito sistema funciona agora pra bolar uma solução que converse com o site novo. Horas e horas de pesquisa, tentativas e erros, até fazer tudo funcionar mal e porcamente; são onze da manhã do dia seguinte, mas pelo menos o lance funciona.
14 de fevereiro: As pessoas normais se preocupam com o que farão no Valentine’s day, eu, já pirando na batatinha, me preocupo com fazer esse site ficar do jeito que eu quero. Depois de vários testes, descubro que a outra fonte que eu tinha escolhido não é processada como deveria pelo Flash; a única solução é voltar para a velha Trebuchet mesmo, o que não é tão ruim. Faço os links funcionarem, e aprendo a aplicar CSS styles no Flash pros parágrafos acontecerem e os hotlinks ficarem coloridos. Pesquiso em todos os sites e comunidades de Flash como fazer o formulário de envio de e-mails funcionar, sem sucesso; me pego pesquisando sites sobre ASP e frustrado por que a documentação no site da Microsoft não existe mais onde deveria existir. Mas, tirando esse formulário, tudo funciona, e eu vou dormir bem mais cedo.
15 de fevereiro: Hora de acionar a lista de contatos; peço aos amigos todos por conhecidos ou transeuntes que conheçam ASP e me solucionem de graça a questão do formulário. Uma pessoa que puxa a outra que puxa a outra, encontro uma alma caridosa que me passa um script decente de envio de e-mails; daí, vou ajustando e ajustando o Flash, até o formulário funcionar. O blog funciona, o diário funciona, o formulário funciona, tá tudo pronto. Eu posso voltar pra terra das pessoas normais e quem sabe voltar a fazer academia.
16 de fevereiro: Ainda não resisto e volta e meia vou visitar o site de tão lindo que eu acho ele, como se ele fosse ter algo novo sem que eu colocasse lá.
18 de fevereiro: Começo a considerar que agora tenho que fazer a parte útil do site e fazer o portfólio combinar com essa parte do diário. Medo pelo próximo período obsessivo. Muito medo.