CS: Lisboa – Pamplona

Lisboa, 9:52h, hora local

Se o aeroporto de Madri é enorme, eu tenho medo. Porque o de Lisboa já é tão vasto…

Esperando a conexão para Madri. O aporte em Lisboa foi sem maiores ocorrências. Deu pra ver um pouco da cidade do alto antes de pousar, parece ser interessante, tem prédios modernos também, olha só que impressionante, eu li o Cerco esse tempo todo imaginando tudo errado.

Lisboa vista da janela do avião.
Lisboa vista da janela do avião.

Saindo do avião, onibusinho até o terminal. Depois, fila lêsmica para mostrar o passaporte e entrar oficialmente na Europa. O tiozinho pareceu revoltado quando eu disse que tinha só 300 dólares, não tinha onde ficar, não ia ficar em hotel em Madri e ia andar até Santiago. Só acreditou que eu não era imigrante ilegal quando eu mostrei o cartão de crédito do meu irmão.

Troquei todos os meus dólares por euros pela módica taxa de 4 euros tudo. Tô carregando tanta grana que vou tremendo de temor quando ando. Mais temor ainda tenho dos preços aqui. Fui numa loja passar o tempo, encontrei cuecas da Calvin Klein, Hugos Boss e Dolce & Gabana, em modelos mais ou menos ousados, custando entre 30 e 50 euros. Minha expectativa é que, ao vesti-las, você fique fortão que nem os modelos das caixinhas.

O mais interessante é conferir que isso tudo existe mesmo. Tipo, Portugal, Velho Mundo, etc., não são grandes mentiras coletivas que o povo dos livros de história inventa pra enganar criancinhas ingênuas, está tudo aqui mesmo, não são países imaginários como a Lituânia.

Os McLixos aqui custam entre 4 e 5 euros, tem vários lanches que não existem no Brasil. Fiquei tentado a experimentar algum, mas não como mais McDonald’s, então tive que fazer força e vencer meu McCondicionamento.

Saindo de Soria, agora mais tranquilo, 18:20h

E no fim das contas, todos os temores sobre o frio glacial queia fazer aqui provaram-se infundados.

O vôo de Lisboa a Madri saiu às 11:35h. Na espera, fiquei me segurando pra não dormir e perder o vôo. Sentei na janela dessa vez, então não me permiti dormir pra ver a paisagem enquanto o avião decolava. Quando tudo virou nuvens, também não pude dormir porque serviram um sanduíche, que eu comi porque sabe-se lá quando eu ia comer de novo. Daí fechei as pestanas por dez minutos, e já estávamos em Madri.

Madri vista do alto
Madri vista do alto.

O aeroporto de Barajas realmente é gigante e lindo, mas não é difícil se achar nele. Comecei a arranhar meu espanhol pra descobrir onde ficava o metrô, depois fui me aventurar com os euros pra ligar pra casa e avisar que cheguei vivo. Perdi dois euros numa ligação mal-sucedida, comidos pelo orelhão, o que é muito frustrante.

O metrô de Madri é enorme, colorido e modernoso, cheio de baldeações (tem doze linhas!), mas consegui me orientar direitinho, e fiquei me achando muito capaz. Saí da estação Barajas e fui até a estação Av. das Americas, onde ficava a estação de ônibus.

Depois de subir quatro ou cinco andares (atravessando as quatro linhas que se cruzam naquela estação até o terminal de busum), fui comprar o bilhete. O autobus saía em exatamente cinco minutos. Mesmo com pressa, o tiozinho da bilheteria, que percebeu que eu era estrangeiro (por que será…), me avisou que eu teria que trocar de ônibus no meio do caminho, quando chegasse em Soria. Localizei o terminal de saída, coloquei minha mala no bagageiro inferior e entrei no busão. Não conseguia encontrar meu lugar, pedi ajuda para o motorista, e esse, depois de olhar bem minha passagem, me disse com muita mímica que o ônibus que eu tinha que pegar era o ao lado, mas que eu podia deixar a mochila onde estava, que este era o veículo para o qual eu me transferirira em Soria.

Mais desamparado que criança perdida em shopping, subi no outro, já me consolando de que, se perdesse tudo, pelo menos estava com as coisas da pochete (máquina, passaporte, dinheiro e passagens), e poderia fazer o Caminho mesmo assim, só teria que usar a mesma roupa todos os dias. Saímos da estação por saídas fechadas tão escuras que eram praticamente a batcaverna, e tomamos a estrada.

Fazendo cara de bonito no ônibus rumo a Soria.
Fazendo cara de bonito no ônibus rumo a Soria.

A paisagem da Espanha é toda bege e marrom, cheias de montes e nunca totalmente deserta. Fui assistindo Alcatraz dublado em espanhol e tentando não entrar em pânico. Quando o ônibus parou, quase duas horas depois, desci e já ia pro ônibus errado no meio do nada, mas tive a iluminação de perguntar pro motorista, que me chutou de volta pra dentro.

Na hora certa, o motorista me levou até o bus que eu tinha que pegar de verdade. Corri até o banheiro, pensei seriamente em comprar porcalhitos para enganar a fome, mas me contive, o que foi bom porque, quando voltei ao ponto onde tinha sido deixado, o autobus estava quase saindo. Estou agora a caminho de Pamplona, sem tomar banho, com fome e sede. E ainda não consigo ouvir o filme que está passando, porque precisa de fones de ouvido, que eu não tenho.

Pamplona, 22h30

Custou, mas cheguei!!

Quem tem boca vai a Roma, e esse ditado nunca se provou tão correto como hoje.

Cheguei em Pamplona oito e pouco da noite. E a mochila estava no ônibus mesmo, não tive que virar um peregrino indigente. Uma mina, enquanto eu pegava a mochila, adivinhou de alguma maneira que eu era brasileiro, mas não sabia falar portuguêes. Mesmo assim, me explicou o melhor que pôde como eu chegava onde tinha que chegar.

O que não adiantou muito. Andei a esmo um pouco, até encontrar um mapa da cidade na rua. Comparei ele muito com o do guia, fui seguindo as avenidas que reconhecia até entender onde estava, então anotei que avenidas tinha que pegar e comecei a andar. Pro lado errado, claro. Depois de quinze minutos, vi que não estava onde devia estar, fiz meia volta, e fui pro lado certo. Vira aqui, vira ali, procura nome de rua, segue um pouco a intuição, fui achando o caminho, e fui ficando cada vez mais contente, até encontrar o albergue…

Que estava fechado.

FOIM FOIM FOIM FOOOOOOIM…

Mas tinha endereço de outro, para o qual fui perguntando o caminho até encontrar. Meia hora depois, passando por quebradas meio sinistras, cheguei no convento onde fica o albergue. Uma freirinha desdentada me recebeu e me levou até a mulher que fazia o registro. Paguei os cinco euros feliz da vida e me instalei num beliche.

One Response to “CS: Lisboa – Pamplona”

  1. Carol

    Gostaria de saber o seguinte:
    Quando o avião para no aeroporto de Madrid e tem que ser feito uma conexão para ir até Pamplona, tem que ser pego um metro (acho) para ir até o terminal onde sairá o avião de Madrid para Pamplona, queria saber se vc sabe como tem que ser feito e qto tempo leva esse trajeto, pois a conexão é somente de 02:30 h de um vôo para o outro, não sei se dá tempo para fazer essa conexão!!!
    Me ajude, por favor!!!