Reveillon resumido

Viajei pra Florianópolis. Aprendi que conhecer um monte de gente nova é bom, mas é complicado. Que algumas pessoas prometem 500 metros e entregam 3,5 quilômetros (e isso não é bom). Que ficar torrando o dia inteiro todo dia na mesma praia é um porre, por mais gente bonita que haja nela.

Descobri que a maior arma da sua independência pode ser a disposição de andar dez quilômetros pra chegar em algum lugar sozinho. Reencontrei antigos amigos, fiquei a par de quase três anos de vida, e aceitei mais um convite pra tomar gim.

Conheci mais gente, e foi bom. Desviei de baseados que pareciam charutos, e vi filmes estranhíssimos. Descobri que se locomover de ônibus numa cidade muito menor que Sampa pode demorar muito mais. Lavei muita louça, e ajudei a descascar quilos de legumes. Vi fogos de artifício, pulei ondas, desejei bem a todos que conheço, e ouvi uma performance do "Rap da Monga" que levantou dezenas de pessoas.

Visitei o lugar onde matavam baleias, e matei tempo esperando a comida chegar. Ouvi poesias que atraíram espanhóis, li na praia e me senti bem. Comi pastéis de carne com banana e batata com mel, e foi uma surpresa boa. Tentei entrar em conversas que não deram certo, mas que ressurgiram naturalmente no dia seguinte.

Fiz uma trilha de 45 minutos pra subir uma montanha e descobrir a praia mais linda do outro lado. Brinquei com ondas como não brincava desde que tinha doze anos. Fiquei de ponta-cabeça na praia, e deixei o mar se confundir com o céu. Me despedi com certa tristeza, mas feliz, e principalmente com confiança no futuro.

Vi estrelas, vi o sol nascer. Descobri uma capacidade imbatível de dormir no carro por horas. Resolvi realizar vários planos, e senti que gosto de quem sou, de onde estou, do que faço, e que agora é daí pra melhor.