Uma das minhas maiores alegrias quando eu consegui o emprego na Recesso (além de sair das estatísticas do desemprego e poder passar o crachá para pagar o meu almoço) foi a possibilidade de fazer academia dentro do prédio da editora. Ao contrário do que muitos pensam quando ouvem isso, não, a academia não é um benefício grátis – é até bem carinha, principalmente quando se compara com a mixaria que meu irmão paga de academia em Campinas. Mas ela é dentro do trabalho, o que facilita muito as coisas, e tem piscina, me permitindo então realizar meu velho plano de voltar a fazer natação.
Bem, uma semana depois de admitido, assustei a mocinha da academia perguntando quanto que custava fazer natação todo dia. Ela, acostumada a atender pessoas que querem nadar duas ou no máximo três vezes por semana, teve que parar e fazer as contas. Como o preço não era tão acima do plano sem piscina, aceitei pagar o preço salgadinho, porque afinal esse é o sabor do cloro.
Qual não foi a minha decepção então quando a mina fala que eu tinha que fazer um exame médico para entrar na piscina, mas que teria que fazê-lo fora porque a academia não dispunha mais de um médico coitado para olhar entre os dedinhos dos pés dos nadadores. A avaliação física eles faziam lá, mas a cardiovascular "obrigatória" eles – adivinhou – também mandaram fazer fora.
O problema disso é que é um grandessíssimo pé no saco ter que caçar um médico particular para fazer um atestado ridícro desses. Inda mais no meu caso, em que envolveria esperar a carteirinha do plano médico do trabalho chegar, localizar um médico, pegar condução, ir lá e voltar, num processo que não sai por menos de quatro horas. Como meu irmão ainda não pode assinar atestados, resolvi o problema indo pedi-lo ao Guilherme, pelo menos aproveitando para botar a conversa em dia.
Pois bem, comecei a nadar antes do almoço, feliz e contente, quase morrendo nos primeiros dias, mas melhorando a performance e fazendo cada vez mais piscinas de uma vez só conforme o tempo passava. Mesmo não nadando cinco vezes por semana, como planejava, ter pagado para fazê-lo garante que eu esteja lá se sunga, touquinha e óculos pelo menos três vezes por semana. Porque, quando se faz aula de terça e quinta, por exemplo, se você tem um compromisso inadiável na hora do almoço numa terça e tem que faltar na natação, a chance de quinta-feira bater uma preguiça e você pensar "Não, semana que vem eu faço direitinho" é enorme. Já nadando todo dia, se você não pode ir na terça, você já foi na segunda, quarta não tem desculpa para não ir, quinta você vai porque, afinal, por que não, se você já foi na segunda e quarta, e daí sexta você também vai pra fechar a semana bem. Muito melhor.
As consequências disso são que eu vou almoçar todo dia com o cabelo molhado, e passo o resto do dia com um odor residual de cloro que não há banho depois da piscina que consiga remover. Mas o pior de tudo não é isso.
Há umas duas semanas meu pé começou a incomodar muito durante uma das minhas tardes de trabalho que se estendem até a noite. Depois de horas levemente supliciosas, cheguei em casa, tirei o sapato e a meia, e descobri que meu pé estava descascando mais fácil que uma mexerica. E o cheiro era horripilante. Passei a ficar sem meia sempre que possível, o que aliviou o problema um pouco.
Meu irmão (que ainda não pode dar receitas) viu meus pezinhos durante o fim-de-semana e aferiu que aquilo se tratava de fungos, e que eu devia passar a enxugar os pés muito bem antes de colocar meias. E que provavelmente tinha adquirido esses novos companheirinhos na piscina. O que é de se esperar, já que, ao abdicar de um médico que faça o exame médico, a academia devia estar aceitando um monte de atestados feitos por telefone. Danilo também me recomendou uma pomada para os pés que daria jeito no problema por hora.
Pois bem, agora meu kit vestiário (sabonete, xampu e toalha) foi acrescido de um tubo de Tênis-Pé Baruel, que promete deixar meus pés lindos e cheirosos com uma sensação refrescante. Cada vez que eu o uso eu fico com vontade de sair cantando "Com Tênis-Pé Barué-el, eu não me escondo mais não! Baruéééééélllll…".
Mas a natação está dando resultados, já me sinto mais saudável, estou ficando mais fortinho, e a professora já me perguntou se eu não quero ir pra uma represa mês que vem fazer uma travessia de 1 km com o povo da academia, o que, segundo ela, eu faria com o pé nas costas (e eu não duvido, já que faço em média 1600 metros por aula). Empolgado, há três semanas passei a frequentar também a aula de abdominais, nas quais a professora faz a gente fazer mais de 1000 repetições em meia hora, muitas vezes com um peso de 5kg atrás da cabeça. Eu estou querendo morrer, mas junto toda minha força de vontade e continuo indo. Quem sabe daqui a uns dois meses eu estarei fazendo esse suplício com mais facilidade também?
gaaaaaaaaaaaaa!
Caramba, essa propaganda aí você trirou do fundo do baú!!! :-))
Ivan Galindo Moura Filho