Começo de carreira

Quando eu fui sair da DROM para fazer o XX Curso, meu chefe lá fez questão de me dizer, até um pouco por despeito: "Você sabe que esse curso não é renumerado, não é?". Sei, sei, eu respondi. "E que não há garantia de que você seja contratado depois, não é?". Sei sim. "E que a concorrência lá é acirradíssima?". Sim, sei. E nada que ele me dissesse ia me fazer desistir de fazer o curso. Porque entrar nele já tinha sido difícil, e era um sonho meu que estava se realizando.

Bem, cinco meses depois, um deles fazendo curso, outro desempregado e três como frila na Jota e na RMP, eis que finalmente minha carreira começa de verdade, de carteira assinada. Sim, finalmente estou pondo meu diploma em uso na minha carteira de trabalho, e terei um emprego com benefícios e tudo mais.

Quando eu ainda estava na Jota, a Petite me deu um toque: "Marcio, lá na Recesso vai abrir uma vaga, vai lá falar com a Cacau". Assim que sobrou um tempo, fui lá. Já tinha conversado com ela antes, numa semana que passei em peregrinação por TODAS as revistas da editora, mas fui me certificar de que ela se lembraria de mim.

A Recesso é uma revista infantil, na qual eu tinha vontade de trabalhar desde que vi uma palestra da Cacau durante o XX Curso. É uma daquelas revistas que você sente as boas intenções de quem faz, o que já é dizer bastante. Pois bem, fui eu mais uma vez, muito empolgado, falar com a Cacau, que me recebeu e conversou comigo.

A Petite me deu outro toque no mês seguinte, quando eu já estava na RMP, e então eu fui lá de novo falar com a futura chefa. Já recebi uma promessa de possibilidade de ser admitido, o que, para um atual frila, é uma das coisas mais doces de se ouvir. Na semana seguinte, fui lá outra vez, e já quase recebi garantias. Até que, no fim dessa semana, recebi a confirmação do frila que me sustentaria no mês seguinte caso tudo desse errado, e fui falar com a Cacau. E ela, para minha alegria, me disse que nem começasse o frila, porque eles iam me pegar mesmo e que eu poderia começar na semana seguinte.

E pois então que agora eu parei de aumentar os índices de desemprego do país! Tenho meu próprio computador, no qual já coloquei miniaturas e um cartão da espada nova do He-Man. Um monitor GIGANTE, que faz com que eu considere qualquer outro mó pequenininho. Mais importante, um emprego ganhando bastante para fazer algo que eu gosto!

Agora estou trabalhando numa redação cheia de alcunhas monossilábicas ou não muito mais que isso: na arte, minhas colegas são a Ali, a Pri e a San, minha chefe de arte é a Cacau, e a de redação, a Gi. A Mô, a Dani, a Lu e a Mari cuidam dos textos, que depois são revisados pelo Edu. Entro às dez e pouco e saio às oito, ou à hora que o serviço acabar, dependendo do dia.

E assim, quando passa da meia-noite de quinta ou sexta-feira e eu ainda estou lá fechando a revista, eu penso satisfeito "cuidado com o que você deseja, que pode acabar conseguindo!!", e resolvo que, mesmo com esse horário alterado, isso é o que eu quero e gosto de fazer. E havia uma opção: ganhar mais ou menos a mesma coisa pra trabalhar pouco em horário comercial, diagramando uma revista sobre piscinas que ficava em Alphaville. Mas isso seria o inferno em forma de piscina.