Quando resolvi pegar a vaga de técnico da Com-arte, eu o fiz na fé de que em poucos meses encontraria um emprego melhor, e que portanto não era de todo mal trabalhar lá e ir ganhando um dinheiro pra ficar num lugar onde eu já ficava de qualquer jeito.
Claramente os meses foram bem mais do que eu esperava. Por mais que eu mandasse currículos pra lugares vários, ninguém jamais respondia. Os meses foram passando cada vez mais funcionários públicos, e eu fui me ocupando com as Artigo Definido, Quadradinho e, ultimamente, o Rabisco. Com o departamento criando mil empecilhos pra imprimir a Artigo, minha desilusão só ia aumentando. Assim, quando a Com-arte Júnior me perguntou se eu não estaria interessado em pegar um trabalho que eles estavam intermediando, eu aceitei imediatamente.
Pois bem, o trabalho deu certo, e eu já chutei o departamento de Editoração e Jornalismo. Avisei que ia sair numa terça, entreguei minha carta de demissão numa sexta (já que, devido às eleições, eles não poderiam me fazer o favor de me demitir), e na terça já não fui lá. Que aviso prévio o quê.
Agora eu trabalho no website de uma rede de TV a cabo doravante chamada de DROM (não, stalkers, vocês não vão saber onde eu trabalho). Trabalho bastante bacana, onde, mais importante que tudo, eu tenho coisas pra fazer. Isso faz toda a diferença. Eu consigo me ocupar durante todas as horas que passo lá!! Depois de um ano procurando o que fazer, isso é fantástico.
Não ir mais pra USP todo dia, no entanto, me forçou a algumas mudanças. A primeira e mais urgente foi resolver minha atividade física. Não dava mais pra ir pro remo madrugadeiro. Então resolvi me tornar mais mainstream e fazer uma academia de ginástica mesmo. Depois de um pouco de pesquisa, me matriculei numa que apresentava um plano semestral razoável e tinha várias aulas interessantes. Dá pra ir a pé daqui de casa, o que é muito prático.
Mas não adianta nada gastar tanto dinheiro em academia e continuar comendo abóboras engordantes. Então resolvi comer mais em casa, comer mais frutas e verduras e (pasmem) evitar a bolacha recheada, meu café da manhã nos últimos quatro anos. Eu pretendia almoçar em casa, mas teria que esperar até as trê e meia da tarde pra começar a preparar minha comida, o que não é aconselhável para quem está fazendo atividade física, dizem os gurus da malhação. Então, depois de dois dias gastando os tubos nos restaurantes careiros em volta do serviço, eu encontrei uns baratinhos que dá pra encarar. A refeição não custa mais só R$ 1,90, mas a comida é melhor, e eu não fico limitado a um mísero copinho de suco.
Meu computo caseiro passou a ser mais usado também! Afinal, não dá mais pra escrever e montar o Rabisco (ou mesmo o Chão) no trabalho. Ter que usar bem mais a conexão discada me fez adotar o Outlook também, por mais que eu odeie dar mais esse passinho em direção à dominação total da Microsoft.
Mas o mais importante é que agora eu estou fazendo coisas! E estou levando uma vida muito mais saudável por conta disso, ó só que lindo. Nada como sair da pasmaceira.