Os cursos da USP, principalmente os de Comunicações, em geral não deixam seus alunos se formarem em paz. Exigem que seus aplicados alunos façam um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre algum tema relacionado ao curso que freqüentou por quatro ou mais anos. Não tem escapatória: ou você faz esse trabalho ou não se forma.
Aqui no departamento o pessoal tem verdadeira fixação por TCC. Pra começar, eles reservaram todo o último semestre apenas para a realização do trabalho. Não sei que mil coxambras acadêmicas eles fizeram para que isso acontecesse, mas o fato é que, segundo o regulamento, você não pode fazer NENHUMA junto com o TCC aqui no CJE. E, como eu não estaria escrevendo sobre isso se não tivesse dado um pepino no meu TCC, sim, já vou adiantando, eu tive problemas com o meu.
No começo do primeiro semestre eu pedi uma avaliação de currículo, descobri que me faltavam dezesseis créditos em optativas, e fiz minhas matrículas de acordo. Infelizmente, quatro anos de humanas corróem sua habilidade com números. Não sei se eu me confundi, se eu fui enganado ou o quê, mas eu me matriculei numa matéria de 3 créditos crente que ela tinha 4. Resultado: chegou o final do semestre e eu tinha um mísero crédito me faltando para completar o curso.
Para piorar a situação, a Comissão de Graduação daqui do CJE tinha a fama de má. Anos e anos de pessoas pedindo pra fazer uma matéria junto com o TCC, pedidos negados sem dó nem piedade porque "pra fazer um TCC direito você tem que se concentrar só nele". Ah tá. Tá bom então.
Desconsolado com a minha má sorte (e imcompetência própria, tenho que admitir), fiz matrícula em uma única matéria esse semestre, para completar o número de optativas, e sem muitas esperanças eu fiz um requerimento para fazer o TCC junto com a matéria. Fiquei julho todo me conformando em ficar fazendo facu mais um ano, colocando todas as minhas habilidades polianísticas em uso para melhorar a situação.
Mas vejam como o mundo até que é bacana. Exatamente na reunião em que avaliaram o meu pedido, entrou uma nova comissão de graduação, com professores menos frescos e que querem mais é que os alunos se formem logo mesmo. Aprovaram meu pedido. E daí, de alguém que tinha um ano inteeeiro até ter que apresentar o TCC, eu passei a ser um aluno prestes a se formar que tem apenas três meses para aprontar isso!
Como as coisas não podiam ser simplesmente simples, no entanto, a história deu mais uma reviravolta no finalzinho. O contrato com o professor que tinha ficado de me orientar acabou mês passado. Ele ainda dá aulas como conferencista, mas não pode assinar meu TCC como orientador legítimo. Então tenho que fazer como vários outros colegas meus estão fazendo: achar um professor que assine o TCC para satisfazer a burocracia, enquanto o outro orienta o trabalho. Felizmente eu tenho alguns professores que gostam de mim, e achar alguém que assinasse o formulário não foi problema.
Agora eu tenho que correr atrás do trabalho! Passarei os próximos três meses estudando encartes de CD, caixinhas de CD, vendas de CD, pessoas que fazem CD etc. e tal. Entrar numa luta sem fim para encontrar as pessoas que criaram os benditos encartes. Não deverão ser mais difíceis que os oito diretores de redação das revistas femininas que eu persegui ano passado, espero.