Aniversário da juventude mais ou menos endinheirada, depois dos 18 aninhos, é tudo assim: você escolhe uma casa noturna X, marca o dia, faz uma lista de convidados. O aniversariante mais acompanhante entram de graça, o resto do povo da lista entra com desconto. Divertem-se todos a noite inteira, e no fim vai cada um pra sua casa, tendo pagado só o que consumiu. O aniversariante paga pouco e não tem que limpar a casa depois. O único lado triste disso é que em geral gente grande não ganha presente de aniversário.
Depois da balada pseudo-chique e quase anônima que foi meu aniversário ano passado, eu decidi esse ano fazer a festança num karaokê, para que meus convidados tivessem toda aquela interação de escolher músicas juntos, cantarem juntos etc. e tal. Duas semanas antes da data, procurei lugares na internê e achei o Opera Lis, que prometia um enorme cardápio de músicas, entrada grátis na quarta-feira (data do meu niver) e ainda bolo de graça para quem fizesse festa lá! Como diria vó Norma, o Senhor preparou. Fui pra Camps no fim-de-semana, confirmei com o Danilo se ele poderia ir pra Sampa comemorar comigo (irmãos gêmeos têm essas coisas, nunca fazem aniversário sozinhos) e, então, marquei minha festa no Opera.
Quarta de manhã Pai quase esquece que é meu aniversário, mas o Bom-dia São Paulo lembrou ele que era dia 17 de julho e ele me deu os parabéns. O resto do dia foi bastante divertido, com as pessoas me cumprimentando e dizendo se iam ou não iam na festa, que, descobri eu, estava se tornando até que um evento, com várias pessoas considerando ir.
Eu e o Marcel tivemos que chegar mó cedo no Opera para pegar a mesa que eu tinha reservado, porque eles só a segurariam das oito às nove da noite. Felizmente os convidados não demoraram muito para chegar e ocuparam os vinte lugares que eu tinha pedido antes da reserva virar abóbora. Foram os editorandos da lista Especialidades, os jornalistas da lista Tio Mega, e o Rods, a Fernanda, a Gabi e a Andréia da Edit-USP. Assim que eu cheguei lá eu me dei conta que é meio difícil conversar num karaokê, mas esse é um pequeno preço a se pagar pelos micos que se paga num lugar como esse.
Eu resolvi abrir a cantoria dos meus convidados, cantando "Garçom", do Reginaldo Rossi. Uma das vantagens do lugar é o microfone sem fio, que permite tanto que se faça altas performances na área entre as mesas como cantorias anônimas sentadinho no seu lugar. Depois disso, o povo se soltou: o Denis e a Mariana destruíram "Baby One More Time", da Britney; Rodolfo soltou a voz em "Pais e Filhos; o Marcel deu a melhor performance da noite, levantando a platéia com "It’s The End of The World as We Know It", também conhecida como "a música incantável"; e eu voltei para cantar "Nuvem de Lágrimas", que não podia ficar de fora.
No meio da noite eles fizeram um intervalinho, no qual o pessoal levantou para dançar uns axés da Ivete Sangalo e o especialíssimo funk do morto muito louco. Depois disso, cantaram parabéns e trouxeram um bolo para mim e outro para outra mina que também fazia aniversário, com aquelas velas fininhas de faísca espetadas no bolo. Nem deu tempo para olhar muito pra ele, no entanto, porque ele rapidamente foi recolhido. Quinze minutos depois, cada convidado meu recebeu uma mini-fatia do dito, que mais pareciam carpaccios de bolo. E não deram repeteco, o que torna a história do bolo grátis para os aniversariantes muito suspeita. Acho que eles mostram dois bolos mas só distribuem meio, guardando o resto para aniversários posteriores.
Mas o resto da festa correu bem. Depois de uma espera de 20 senhas, à uma e meia da manhã, meus convidados remanescentes juntaram-se todos para cantar "O Amor e o Poder" em coro, ao que se seguiu um "Se Fue" também em conjunto, apesar de ninguém lá saber a letra direito. Saímos de lá às duas da manhã, roucos e contentes. A Rachelships ficou sem voz por mais dois dias, e o Denis ficou com sinusite, mas eles juram que não estão fazendo um vudu meu no vidro de picles em represália.