Este final de semestre está sendo bem pauleira. Claro que, se compararmos com os finais de semestre que o Danilo tem, o meu é fichinha dilícia, mas está sendo bastante pauleira se compararmos com os outros meses do semestre.
Um dos lados bons e ruins de se fazer um curso de humanas é que quase não se usa provas. O que significa que a gente não tem que ficar se descabelando para estudar, mas, em compensação, em junho temos milhares de trabalhos, fichamentos e etecéteras para entregar. Felizmente já estou entregando os meus.
Os alunos da ECA aprendem desde cedo a elevar a picaretagem a uma forma de arte. Quando se chega no penúltimo semestre, como eu, você já perdeu a vergonha há alguns anos. Não cheguei ainda no nível da Katia, que semestre passado passou no escaner setenta páginas de um livro sobre o Miró, corrigiu as letras que o programa de escaneamento tinha entendido errado, colocou o nome dela, imprimiu e entregou como se fosse uma pesquisa original. Mas quase cheguei nesse ponto.
Ontem Katchu e eu tínhamos que apresentar um seminário na aula de Logos e Tekhné. Depois de já ter passado semanas enrolando para prepará-lo, sentamos na frente do computador, discutimos um pouco as idéias do artigo no qual iríamos basear a palestra, e começamos a escrever o relatório. Deu dez minutos eu falei "Ah, Katchu, isso aqui tá muito chato. Que tal se a gente só parafrasear o texto e entregar pra professora?" Katia Abreu olhou pra mim e disse "Tinha acabado de pensar na mesma coisa!". Mesmo assim, não conseguimos terminar de redigir o relatório. Então fomos para a aula, passamos o seminário todo conversando sobre pirataria de CDs com a classe (sim, esse era um tópico válido e relevante), e prometemos entregar o relatório escrito semana que vem.
Hoje, na aula de Redação em Publicidade e Relações Públicas, Marcelo, eu, Raquel e Mário fomos apresentar nosso trabalho final, um catálogo de uma cooperativa de cerâmica. O fato de que o Mário já tinha feito esse catálogo ano passado, para um frila que não deu certo, e nosotros não pusemos um dedo nele não vem ao caso. O que importa é que a professora achou lindo e nos acha o máximo.
A aula de amanhã não me preocupa: Desenho de Observação, uma aula muito lúdica na qual o professor já mandou a gente desenhar coisas em 360 graus, ou desenhar o espaço entre as coisas. Eu e Mari desistimos de tentar entender as propostas já faz mais ou menos um mês. Como a nota é com auto-avaliação mesmo, já decidimos que merecemos oito.
Como já disse no começo, eu sei que é picaretagem. Mas é picaretagem altamente acadêmica, tá?