Atenção: A palavra "telefônica" é repetida inúmeras vezes nesse texto, com ou sem acento. Não me culpem. Culpem a maldita companhia de telefonia que adotou um nome super original.
E eis que agora eu tenho telefone em casa!
É claro que isso só aconteceu porque não é mais necessário vender o próprio fígado e entregar o dote da filha mais velha junto com a virgindade da moça como entrada para adquirir sua linha telefônica. Agora é só mandar uma carta pra Telefonica com xerox dos documentos, e em mais ou menos uma semana a linha chega na sua casa.
É claro que, se fosse assim tão simples, isso aqui seria uma notinha e não um texto. Ninguém te avisa disso, mas a Telefonica só leva a linha até a central telefônica do seu prédio. Pra subir o fio até seu apartamento, descobri quando o porteiro me avisou que tinham instalado minha linha (uns três dias depois que o técnico tinha feito o serviço), você tem que pagar o serviço à parte. Fui eu lá ligar pra Telefonica pra pedir o serviço de subir o fio prédio acima, mais uma extensão até meu quarto, parcelado em seis vezes a serem pagas na conta telefônica mesmo.
Escrevi um bilhete super-explicativo para orientar o zelador, peguei a chave reserva e deixei os dois com o porteiro. No dia seguinte, quando perguntei para o zelador se já tinham feito o serviço, ele me diz que não, mas que o porteiro da tarde faz esse tipo de trabalho por fora, e que seria muito mais fácil pedir pra ele fazer isso, porque o povo da Telefonica nunca vem mesmo. Eu disse que não precisava, que tinha fé nos orelhões amarelo-doença e que mais cedo ou mais tarde eles apareciam.
Pois então qual não foi minha surpresa quando quarta-feira, dois dias depois, me liga uma mocinha no meu celular, avisando que o técnico tinha vindo mas não tinha ninguém esperando ele. "Como assim?? Eu deixei a chave na portaria!", disse eu. Com toda sua educação telefónica, a mocinha me explicou que o porteiro da tarde disse ao técnico que eu e meu pai tínhamos ido viajar e só voltávamos na segunda. Desejando ardentemente que o porteiro não tivesse a morte misericordiosa de ser eletrocutado pela central telefònica do prédio e tivesse que viver porteiro pelo resto da eternidade, disse à mocinha que mandasse o técnico de volta no dia seguinte, que ele conseguiria entrar no apartamento. Assim que cheguei em casa, delatei o porteiro da tarde pro zelador, que prometeu dar uma bronca no trapaceiro. No dia seguinte, graças à presença providencial do Vôanselmo, meu telefone já estava funcionando.
Ter telefone em casa é ótemo. Pra começar, não preciso mais correr com minhas conversas telefönicas, já que meu minuto não custa mais R$ 1,40. Agora, quando a telemoça do celular me avisa que não posso mais nem sequer fazer uma ligação a cobrar porque meus créditos expiraram, eu posso dizer "SUPOSITA SEUS CRÉDITOS!! EU NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ!!".
Além disso, a linha telefõnica preencheu o enorme vazio internético que havia no computador do meu apartamento. Tadinho, em quase dois anos de existência, jamais tinha posto seu modem em uso. Tá certo que tenho que usar as internets grátis da vida, que são muito mais lentas que a conexão aqui da USP, mas pelo menos agora não vou ter que comer McCoisas para poder ler e-mail de sábado.
Não sei ainda se vou arranjar uma secretária eletrônica. Não quero ter uma maquininha que me mostre que ninguém liga pra mim. Mas ia ser divertido inventar uma mensagem boa pra secretária.