Já fazia algum tempo que Mãinha ameaçava de comprar um piano. E eu sempre dizia "Isso, compra, compra, compra!!", mas não surtia muito efeito. E olha que foram anos e anos querendo ter um piano, olhando com um pouco de inveja o piano dos meus primos, que ficava sentado na sala deles desde sempre, mas que deve ser muito pouco tocado.
O problema é que piano realmente é muito caro. Pra não nos deixar totalmente na mão, Mãinha sempre nos supriu com órgãos, teclados e coisas afins, mas isso simplesmente não é a mesma coisa. Órgão é quase algo totalmente diferente, e teclado tem um monte de tecla faltando, não chega aos graves de verdade, o que me frustrava muitas vezes nos meus improvisados estudos pianísticos.
No último ano, resolvemos que já tinha passado da hora de termos um piano de verdade em casa. Tentando fazer negócios mais econômicos, Mãinha adentrou nos pântanos tenebrosos dos sites de leilão, onde até se encontra ofertas, mas até elas se tornarem realidade são outros quinhentos. Entre os vários contatos infrutíferos, ela chegou a negociar um piano que viria de Belém, de caminhão, o qual ficou conhecido dentro do nosso círculo famíliar como "O Piano da Puta Que O Pará".
Mas nossas agruras chegaram ao fim, e conseguimos encontrar um piano em Campinas mesmo. Quanta alegria! Eu ainda estou na euforia de ter um piano de verdade em casa. Quantas teclas! Quantos pedais! Quanto espaço! Vem até um banquinho junto! As alegrias são sem fim.
Eu estou no processo de reaprender a tocar as músicas que tinha tirado no teclado molinho no piano, algo que exige força no dedo. E, pra não torturar a família sempre com as mesmas músicas, estou aprendendo umas novas também. Mas o mais divertido é ver a Ana Paula aprendendo a tocar piano. A gente toca o bife todo mundo junto, toca "Oh Suzana!" a quatro mãos, o piano é algo tão lúdico!!
Quem deve estar se sentindo abandonado é o tecladinho em Sampa. Tadinho, ele teve o seu propósito, mas é difícil concorrer com o pianão. Mas, se servir de consolo pra ele, eu ainda tenho o impulso de ligar o piano quando vou tocar, e desligá-lo quando termino. Ele deixou impressões super persistentes na minha mente.