Era o começo de mais uma noite de Carnaval. Isolados num apartamento próximo a uma praia do litoral paulista, sete amigos tentavam decidir o que fazer, agora que o Big Brother Brasil já tinha passado. Depois de um pouco de reflexão, Joel* veio com uma idéia:
"Vamos fazer o jogo do ‘Eu Nunca’!"
Rapidamente todos os meninos e meninas sentaram em círculo e abriram uma garrafa de vinho.
As perguntas já começaram um tanto pesadas. "Eu nunca fiz sexo oral", disse Joel*, sorrindo e bebendo do copo. Todos (as), virgens ou não, também beberam, admitindo terem feito isso uma vez na vida. "Eu nunca me masturbei em lugar público", disse Laércio*, bebendo juntamente com os outros meninos, que tiveram que contar suas peripécias.
As perguntas e confissões foram se sucedendo, o vinho acabou e foi substituído por Coca-cola com vodca. Paula* propôs "Eu nunca fiquei com mais de 15 pessoas", ao que o Bifinho*, cacho de Cássia*, riu e orgulhosamente bebeu dois goles, dizendo já ter ficado com mais de 70 meninas. Todos os outros seis não puseram muita fé na afirmação.
Quando todos já estavam etílicos o suficiente, Cássia* lançou, cheia de malícia: "Eu nunca fiquei apaixonada por alguém do BID*". Todos se olharam, e metade bebeu um gole.
Com exceção de Lúcia*. Cássia* não resistiu e disse "Mas, Lu*, você não foi a fim do Carmelo*?". "NÃO!!!", disse Lúcia*, com tanta pressa que todos tiveram certeza que sim. O assunto não morreu fácil: Cássia*, que também já tinha sido a fim de Carmelo*, continuou puxando o assunto, e Lúcia* tentava se justificar, contando a história: "Nós éramos super amigos! Ficávamos conversando por muito tempo!!". "EU TAMBÉM, COMIGO TAMBÉM!!", animava-se Cássia*, levando as duas a um estado de descontrol total. Em pouco tempo, Lúcia já abria o coração: "Eu ficava com ele no telefone até as quatro da manhã, sendo que tinha que trabalhar cedo no dia seguiiiintee!! Ia pro trabalho morrendo de sono!! Que ingraaatooo…".
Achando as duas muito engraçadas, Laércio* sugeriu que fossem todos para a praia ver estrelas, sugestão rapidamente acatada. Com cangas e garrafas nas mãos, desceram todos as escadas do prédio e fizeram a pé o caminho até as ondas. Lúcia*, num estado nunca antes visto, não parava: "O que que aquela menina que ele está namorando teeem? Eu também sou loira!! Eu também tenho peitão!! E eu sou mais inteligeeeenteee!!", lamentava.
O Bifinho*, totalmente pra lá de Bagdá, começou a correr na praia, tirou a roupa e pulou pelado no mar. Cássia*, toda preocupada, disse: "Gente, ele está mó bêbado, tira ele de lá que ele pode se afogar!!". Resignado, Laércio* tirou a roupa e, de cueca, foi buscar o Bifinho*, que estava agachado na margem. "Vem, Bifinho*, sai daí!", disse Laércio*. "Não posso, tô com vergonha!!", disse ele, tentando esconder as partes pudentas. Revoltado com o mundo e com o absurdo de alguém não ter vergonha pra ir mas ter pra voltar, Laércio* levou o Bifinho* pelo braço as roupas que este tinha largado no chão.
Mais tralalá que todos os outros, Lúcia* tentava fingir que sua canga era uma burca, e imitava a Jade. Logo o grupo encontrou uma roda de desconhecidos que fazia uma rodinha de violão na praia. O grupo instalou-se ao lado da rodinha. Paula* começou a rir descontrolada: "Nós estamos estragando a rodinha deles!! HOHOHOHO!!". Lúcia* tentava ser social: "Oi, eu me chamo Lúcia*, eu faço Relações Públicas", repetiu para todos os da rodinha, várias vezes.
Horas e estrelas depois, o grupo decidiu que era hora de voltar para o apartamento. Joel* e Paula* acharam que seria uma ótima idéia fazer todo o caminho de volta dançando valsa. Já Lúcia*, esquecida de Carmelo*, repetia horrorizada "O Bifinho* está vestindo a minha canga!! SÓ a minha canga!!".
Divertidos e cansados, cada um se arrastou para sua cama como pôde, e foi dormir o sono dos irresponsáveis até tarde do dia seguinte, armazenando com álcool em seus neurônios uma noite da qual se lembrarão com carinho pelo resto de suas vidas.
* Nomes alterados para proteger as identidades dos envolvidos.