Se tem algo que minha mãe ensinou bem para a gente (entre outras coisas, é claro, mãinha, não vai ficar brava) é a gostar de Natal. Ela sempre fez questão de fazer tudo que a ocasião pede lá em casa, porque ela não tinha Natal na casa dela quando ela era criança.
No sábado ela já tinha montado a árvore de Natal na sala de casa com a Ana Paula – uma de mentira, em contraste às de verdade que a gente montava na minha infância, que vinham na lata de óleo, cheiravam bem, pinicavam, enchiam a sala de folhinhas e, uma semana antes do Natal, começavam a ficar marrons. A Ana Paula provavelmente vai ser que nem uma amiga minha, que diz que monta a mesma árvore de Natal todo ano desde que nasceu, a vinte e tantos anos atrás.
Eu montei a minha hoje, entre o Jornal Nacional e a Casseta & Planeta.
A árvore foi algo que eu fiz questão de ter quando me mudei de São Paulo. Assim que começou dezembro eu juntei o pseudo décimo-terceiro que eu recebia na escola de inglês, fui andar na Teodoro Sampaio e encontrei uma árvore artificial de um tamanho que me agradava. Como eu não podia colocá-la na mesa única da sala, eu levei a minha cômoda até lá, o que causava o pequeno problema de ter que ir à sala para buscar minhas roupas. Apesar de que chamar meu apartamento de pequeno é elogio, então não causou tantos incômodos. Este ano ela ficou em cima do microondas-armário, uma adição recente. Durante o resto do ano ela fica dobrada debaixo da minha cama.
Este ano felizmente veio um reforço de enfeites de Natal lá de casa, porque os que eu usei nos dois anos anteriores (que também são refugos de Natais anteriores campineiros) já estão começando a ficar desbotados. Este ano eu tenho várias bolas brancas para pendurar. No esquema moderno de penduração, é claro: enfeites de plástico que já vêm com lacinho e que não quebram. O que aconteceu com os bons e velhos tempos, que a gente amarrava os enfeites com linha de costura, e quebrava uns dez por ano?
Decorar uma árvore de Natal é uma atividade que requer mais ciência do que parece. Você deve colocar enfeites no lado que fica virado para a parede? Se sim, não vai estar desperdiçando enfeites? Se não, não vai ficar vazio se alguém olhar de lado? Aqueles três enfeites bonitos, devem ficar embaixo, sozinhos mas meio desaparecidos, ou em cima, cercados por vários outros, mas visíveis? E como encher as áreas vazias eficientemente? E como encontrar os galhos certos que preencherão estes espaços, quando o galho baixar com o peso do enfeite?
Eu queria colocar alguma coisa na porta, mas tenho medo que roubem. De qualquer maneira, o teste disso vai ter que ficar para o ano que vem, porque este ano eu estou sem um tostão furado do avesso para comprá-lo.