Na quarta seguinte

PAI: E esse negócio do World Trade Center hoje hein?

EU: Puta, foda. Nem fala, fiquei todo deprimido ontem.

PAI: Quem poderia imaginar…

EU: Tem louco pra tudo.

PAI: Pois é.

EU: E o Danilo tá na maior calma lá, não tá nem aí. Se fosse eu pegava o primeiro avião de volta.

PAI: O impressionante é a maldade e a crueldade do negócio mesmo. Pegar um avião cheio de gente, pra jogar num prédio cheio de gente.

EU: Quando me falaram que tinha batido um avião no World Trade Center, eu pensei que tinha sido azar puro. Depois foram falando que tinha batido outro, e que ia cair o prédio…

PAI: Nem em filme podiam imaginar isso.

EU: Foi todo mundo da ECA pra uma salinha ver tudo acontecendo ao vivo.

PAI: Mas tá meio mal-explicada essa história. Não é possível que um cara com um cursinho de piloto consiga acertar a rota e tudo mais pra poder acertar o prédio.

EU: Ah, não sei, pra se matar não deve precisar muita perícia.

PAI: Mas não é possível! Com certeza não é simples assim controlar um Boeing.

EU: O pior foram os bombeiros, que estavam subindo no prédio quando ele caiu… Quando você vê pela televisão você nem tem noção de que tem montes de gente lá dentro.

PAI: Eles jamais imaginavam que o prédio fosse cair.

EU: Eu não aguento mais eles mostrando as cenas da colisão na TV, já mostraram umas quinhentas vezes.

PAI: São cenas muito impressionantes.

EU: Bem que podiam não fazer guerra em cima disso. Já basta o que morreu de gente lá mesmo.

PAI: É. Mas vão.