Quem deixou o Jorge Amado morrer? Hein? Eu que não dei permissão.
Estou eu matando tempo e neurônios assistindo a novela das sete quando aparece a chamada do plantão da Globo, e a Fátima Bernardes diz assim, sem mais nem menos, que ele morreu.
Que droga.
O primeiro livro dele que eu li de verdade foi o Capitães da areia, na oitava série. Gostei muito, foi mais simples do que eu pensava, e a história te segura, mesmo. E eu que achava que não permitiriam livros desse tipo na biblioteca do Imaculada.
Uns anos depois eu peguei o Tieta do Agreste para ler. Eu vinha folheando o livro desde que fizeram a novela, já tinha lido a última página dizendo sobre a placa da praça milhões de vezes, mas chegar até a última página passando pelas seiscentas que vêm antes que são elas. Pois eu peguei, li, li, li, li, li… Fui chegando no fim…
E descobri que estava faltando o penúltimo caderno do livro.
O clímax acontecendo, a história acabando, e a história dava um salto, para quase o fim. Eu fiquei zureta. Saí catando notas de um cruzeiro em casa (que deviam valer menos que cinco centavos), botei tênis, peguei um busum, fui até a biblioteca municipal, consegui encontrar a Tieta na prateleira, sentei no chão e só levantei quando terminei o livro. É impressionante como a última página é mais comovente quando você leu a história inteira.
E agora ele morreu. Tadinha da Zélia Gattai.
De onde a Globo vai tirar as tramas das novelas das oito agora?
O dono da editora que publica ele deve estar fazendo o maior esforço pra segurar o sorriso. Ele vai vender horrores.
E sexta o Globo Repórter vai com certeza ser sobre o Jorge Amado.
Espero que não façam nenhuma homenagem estilo Gente Inocente no Criança Esperança.