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Já falei algumas vezes assim en passant da revista que eu fiz no semestre passado, a Artigo Definido. Explicando direito, na aula de Laboratório Editorial, cada um pega um projeto, em geral um livro, e cuida de todas as etapas, para aprender na prática como funcionam as coisas. Eu resolvi pegar a Artigo Definido, uma revista semestral que grupo anterior ficou um ano para fazer uma edição. Eu botei na cabeça que ia fazer, ia fazer bem e ia fazer em seis meses. O Wagner e a Juliana embarcaram nessa comigo, e lá fomos nós.

Meses e meses de entrevistar pessoas, transcrever fitas, levantar dados, escrever histórias. Depois que eu saí dA Revista, dediquei todo meu tempo à Artigo, razão pela qual eu escrevi a maioria das matérias e a diagramei sozinho. Sempre driblando os problemas mais inesperados: o computador que não funciona, o slide que não tem como escanear, o funcionário que resolve que vai embora depois do almoço e fecha o laboratório… Felizmente o Wagner estava lá para cuidar de muitos dos detalhes sérios, como contactar a gráfica, falar com a Publifolha etc., de forma que eu pudesse continuar no meu mundinho AD.

Minha cabeça ficava ligada nisso o tempo todo; o que podia ser ruim (às vezes eu não conseguia dormir, pensando na revista) ou bom (numa dessas pensações, por exemplo, eu tive a idéia de como preencher quatro páginas da revista, usando um pedaço da tese de mestrado do Vicente Gil). Semana passada eu até sonhei que ela estava saindo, errada, com papel jornal, meio verde meio azul, e que ia ter que refazer tudo.

Até porque, para conseguir fazer com que os fotolitos dela ficassem prontos, foi uma luta. Primeiramente, aprender a fechar os arquivos no formato certo e fazê-los chegar à Publifolha, que nos daria os fotolitos de graça. Quando isso aconteceu, eu descobri que tinha fechado os arquivos numa resolução de 300 linhas (o normal é 150), mas tarde demais: eles já tinham feito os fotolitos. Lá fui eu fechar os arquivos de novo, dessa vez na resolução certa. Três dias depois, me liga o Márcio da Publifolha, dizendo que ia ter que fazer de novo, porque as duas cores tinham saído com inclinação de 45 graus (o certo é uma sair com 45 graus, e a outra com 75). Fiz tudo mais uma vez de novo. Felizmente, essa foi a derradeira.

Prontos os fotolitos, foi questão de fazer aprovar o orçamento da gráfica, fazer os fotolitos chegarem lá, fazê-los entender o que é pra fazer, e fazer-me controlar a ansiedade. Fiquei eu enchendo o pessoal da gráfica, até que segunda a moça me disse que estava tudo pronto e que ia chegar naquele dia. Fiquei todo feliz e saltitante. Meia hora depois, me liga a mulher do departamento financeiro, dizendo que faltava ela receber uma nota de empenho que devia ter chegado na sexta para que pudesse ser feita a entrega. Saí eu pelos departamentos da ECA, até descobrir quem fazia essa nota de empenho. Disse que precisava que essa nota chegasse antes das duas, por fax, à gráfica. O cara tirou sarro da minha cara. Duas e meia, nada de nota, nada de entrega.

Meu humor ficou mais negro e amargo que café expresso. As flores murchavam por onde eu passava, as pessoas na mesma sala que eu tinham que colocar máscaras de gás para se protegerem da enorme nuvem negra que me acompanhava. Minhas revistas, prontas, e eu não podia tê-las em minhas mãos. Xinguei deus e o mundo. Fui para casa salgando o solo em meu caminho, para que nem mato mais crescesse.

No dia seguinte o professor ainda me disse que estas notas de empenho demoravam semanas para ficarem prontas. Fui eu ligar para a gráfica, para perguntar se não tinha jeito de deixar essa nota pra lá, quando a moça me diz que já estava tudo resolvido e que as revistas já estavam na ECA. Com efeito, cinco segundos depois chegou o entregador com meus mil exemplares. Eu me senti na Porta da Esperança.

E agora eu estou cuidando para que a revista chegue até todos que colaboraram com ela. Todo mundo até agora a achou linda, elogios mil, e eu já achei cinco erros nela, mas não digo quais são. Mais calmo agora? Sim, estou. Mas não por muito tempo. Já estou cuidando do próximo número.