Hopi Hari

Segunda-feira a família volta de viagem com a prima Marcelinha de brinde. Quem tem primo sabe a festa que é quando vem um passar a semana em casa. Mesmo que você o odeie, você terá várias oportunidades de deixá-lo com cicatrizes que o farão lembrar-se de você para o resto da vida.

Minha mãe resolveu que esta seria uma ótima oportunidade de levar as pimpolhas para o Hopi Hari. O "mas" desta idéia é que quem as levaria seria eu, já que mãinha ia ficar trabalhando e garantindo o sustento da casa. Eu, como irmão e primo dedicado que sou, concordei, até porque não conhecia o Hopi Hari. E não queria que me acusassem "VOOOCÊÊÊÊ!!! NAO FOI CAPAZ DE LEVAR SUA IRMÃZINHA PRO HOPI HAAARIII!!" pelo resto da minha vida.

Minha mãe descolou uns ingressos com desconto e nós anunciamos o programa às meninas, que ficaram todas empolgadas. Depois o primo Filipe resolveu que ia também, e conseguiu um ingresso baratíssimo comprando três filmes Kodak. Assim, na manhã de quarta-feira embarcamos eu, Anselmo, Filipe, Marcelinha e Ana Paula rumo ao Hopi Hari.

Chegamos lá às dez e meia da manhã, depois de termos pegado entradas erradas, retornos e dado duas voltas completas numa rotatória. Parei na entrada do estacionamento, paguei cinco reais e peguei o cartãozinho. "Bombini", disse a mulherzinha da cabine. "Como?", disse eu. "Bombini", disse ela, com a cara de quem está falando a coisa mais óbvia e lugar-comum do mundo. O Anselmo então me disse pra seguir, que aquilo era hopês e que eu ia ouvir muito daquilo até o fim do dia.

Logo na entrada eu percebi como tudo era limpinho e coloridinho no Hopi Hari, bem diferente do Playcenter, mas também nenhuma Disneyland. Tivemos todos nossa mão carimbada, entramos e combinamos que o primeiro a ficar com as meninas seria eu, e que nos encontraríamos dali a uma hora e meia. Fiquei eu seguindo as duas, que queriam ir em todos os brinquedos que envolviam água de uma maneira ou outra. É claro que brinquedos cuja altura mínima é um metro não são os mais emocionantes, mas foi divertido. As duas deram show no touro mecânico, ficando em cima dele mais tempo que uns marmanjos que tinham ido antes.

Encontramos os dois bem na hora que ia começar o teatro. Um dos atores conseguiu convencer a Ana Paula a ir assistir, então fomos todos assistir. Sobre o espetáculo, podemos apenas dizer que seu maior mérito é que é um dos poucos em que dançarinos e atores feios têm preferência. Primeiro veio uma música chatinha sobre reciclar lixo, depois veio o "show de talentos", para o qual o Anselmo foi escalado para representar uma pedra. Engraçadinho. O problema é que a música que veio depois (o hino de Hopi Hari) não só é um pé como também era dublado, o que deixava tudo com um jeito mais nas coxas ainda.Quando aquilo acabou, fomos para a parte de jogos eletrônicos, onde eu e o Anselmo treinamos na maquininha de dançar. Depois deixamos as meninas com o Filipe, e fomos nos brinquedos que eu ainda não tinha tido a chance de ir.

O primeiro foi a tão famosa Torre Eiffel. A fila era pouca, o brinquedo, rapidinho, então logo era a nossa vez. Me sentei do lado do Anselmo, a cadeira começou a subir, subir, e eu comecei a achar que talvez aquela não tivesse sido uma boa idéia. Quando a cadeira parou lá em cima, a ansiedade foi aumentando, e aquele tempo que parecia tão pouco com os pés no chão foi durando cada vez mais. Eu comecei a procurar qualquer canto em que eu pudesse me segurar, mas nada. Então a cadeira foi solta, a a gente começou a cair por eternos três segundos. A sensação era absolutamente pavorosa. Eu só conseguia pensar que aquilo era igual a cair de um prédio, e que pior do que aquilo só mesmo se estatelar no chão e ter todos os seus ossos esmigalhados depois de quicar duas ou três vezes. Saí completemente zureta do brinquedo, segundo o Anselmo eu estava muito vermelho. Dei alguns passos, me sentei na calçada e fiquei lá sentindo como era gostoso ter um chão me segurando.

Fomos então para a montanha russa. O Hopi Hari só não vendeu a alma ao capitalismo porque provavelmente nunca teve uma. Todos os brinquedos são de alguma marca: a montanha-russa da Telefonica, o Rio Bravo da Sadia, o simulador da Coca-cola (que aliás, não só era muito tosco como também era chato). Na maioria das vezes se sai dentro de uma lojinha, onde em geral você pode deixar os olhos da cara para ter uma foto sua tirada quando você estava dentro do brinquedo.

Foi numa destas lojas que eu encontrei o dicionário Michaelis Hopês-Português, com o qual eu descobri que a tiazinha do estacionamento na verdade tinha dito "Bon Bini", que queria dizer "Bem-vindo!", e ainda aprendi que um dois três em hopês é "uni duni tê", que nada é "patavina" e que "Você pode me ajudar?" é "Me dá um helpi?". Quanta presença de espírito.

Encontramos o Lipe e as meninas, fomos todos ao carrinho bate-bate, depois fomos ao simulador da Telefonica, onde eu tive que assistir à história da ilha que surgiu no meio do mar e em uma semana brotou vegetação densa e dinossauros, enquanto era chacoalhado pra me sentir dentro de um carro capaz de flutuar em lava como se fosse só um riozinho. E o pior é que a história nem tem fim. Nem desenvolvimento. Na verdade, mal tem começo.

Na segunda vez que eu fui no Rio Bravo a canseira já estava ficando aparente. Ainda fomos até o Kastel, da Estrela, uma imitação do "It’s a small world after all" da Disney, mais tosco, em que bonequinhos desfilavam os estereótipos brasileiros, para o deleite da Ana Paula.

O parque foi feito com filas em mente, primeiro pelo tamanho dos enormes corredores para filas que serpenteiam na frente dos brinquedos, depois pelo fato que, num dia sem fila como o em que a gente foi, se faz tudo o que tem para fazer antes das quatro da tarde. Eu comecei a fazer campanha para ir embora; antes do parque fechar, às seis, ainda deu pro Lipe ir para o brinquedo do demo que é a Torre Eiffel, as meninas irem no Kidspléshi pela segunda vez, e eu e o Anselmo ficarmos dançando na maquininha mais umas duas vezes.

Quando conseguimos sair de lá, passamos à difícil missão de encontrar o carro no estacionamento, o que levou uns dez minutos. Na saída, o cara que pegou o cartão de estacionamento ainda disse "Tchauí!". A Marilena Chauí, tadinha, deve ter sofrido muito se foi alguma vez no Hopi Hari.

9 Responses to “Hopi Hari”

  1. rodrigo silva

    essa história é boa herin e é verdade … o hopi hari é tudo isso ai ki ele disse….

  2. tamara

    da ´ra saber que a historia é real pela reaçao à torre eiffel. ela é tudo isso. mesmo assim quem vai uma vez no hopi vai sempre

  3. foi no hoppi achei o lugar mais legal do mun do adorei por isso eu vou denovo bjss

    o hoppi é segura e vale apena ir vai todos vc vão gostar

  4. gabi

    nossa foi d+++ que legal eu vou no hoppy hari pela primeira vez e sou a mais corajosa da minha escola n vou ficar com medo de ir a torre heifel nem de ir a mais nova atraçaão montanha russa invertida vai se legal bjuss!!

  5. Jamires

    Há legal gostei da História , eu vou no Hopi Hari pela primeira vez dizem que lá é legal …Espero q eu me divirta muito0

  6. kawanne

    nossa foi d+++++++eu vou com a minha escola pra o hopi hari.
    mais podia ter foto dos brinquedos do hopi hari mais ñ tem ñ tem
    probema foi tira 10 no trbanho da escola

  7. Isabella

    bom eu fui no hopi hari e nesse ano eu vou de novo, alem de enfrentar as filas eu gostei muito dele…!
    não importa quanta gente fale mau do hopi hari. eu sempre vou gostar dele…!
    bjssss
    me liga o meu numero é ( 96782002 )