Tenho que admitir. Somos todos americanófilos. Principalmente todos nós de Editoração. O povo da minha classetambém gosta de Chaves e Sílvio Santos, mas isso não vem ao caso.
Junho foi chegando ao fim, e o Denis resolveu promover um churrasco para comemorar o fim do semestre e a independência – do mundo, segundo o Independence Day. Dez segundos de conversa com o Marcel foram suficientes para convencê-lo a emprestar a casa para o churrasco de Quatro de Julho. Alguns minutos depois, a classe não só comprou a idéia, como aprimorou o conceito.
No dia seguinte o cartaz oficializando o evento, com Uncle Sam e mocinha tomando Coca-cola, estava na entrada da Com-arte:
"JULY 4TH BBQ: 2 P.M. AT MARCEL’S. PRICE: US$ 2,60 (R$ 5,00)"
A maioria da minha classe contribuiu imediatamente. Demorou um pouco para os bixos e os bixos dos bixos se convencerem que não seria um indian program, mas eles acabaram comparecendo.
Hoje, ao meio-dia, Marcel Iha, Sávio e Carla saíram para comprar as comidas, enquanto o resto do povo se reuniu na frente da ECA, na grama, pra jogar banco imobiliário. Todos muito desencanados, menos a Juliana, que estava faltando do trabalho por "compromissos importantes" e tinha que ficar se escondendo do chefe, que passava por ali a cada quinze minutos. Os três voltaram com as compras uma hora e meia depois, tempo suficiente para a Mariana passar quatro rodadas presa e deprimida, e depois comprar todo bloco roxo com o dinheiro dos contatos criminosos que ela fez na prisão.
A caravana de seis carros chegou meia hora depois na casa de Marcel Iha. Vinte editorandos e um jornalista, Marcel Nadale, convidado por este que vos escreve. A integração entre cursos tem que começar de alguma maneira, afinal. Descarregamos as compras e começamos a preparar o BBQ. No cardápio, hambúrguer a ser preparado na grelha, salsichas, pão de hot-dog, pão de hambúrguer, coca-cola e 7-up, catchup, mostarda e molho barbecue. Felizmente cozinhamos as salsichas logo, porque os inteligentes universitários não conseguiam acender a churrasqueira e passariam mais uma hora de fome se dependesse dos hambúrgueres na grelha.
Conforme os presentes foram ficando menos desnutridos, todos se acomodaram em roda e passaram à fase da fofoca e maledicência. Quem não sabia das últimas ficou sabendo, e todos os ausentes foram maldados igualmente. Depois de um tempo, o veneno acabou e nós resolvemos fazer a Mariana feliz e jogar Imagem & Ação.
Quatro times foram formados. Fazer o que se o meu era o melhor. Eu e Nadale estávamos com o contato telepático ligado à toda, adivinhávamos os desenhos um do outro em cinco segundos. O mais inacreditável foi quando ele fez isso com a minha mímica para "Magic Johnson". O Wagner ficou bobo: "Peraí, você pulou um pouco, depois apontou pro braço e fez cara feia, e ele deu a resposta certa?" (Essa era a minha mímica para um jogador de basquete com AIDS). Pois é.
Já estava anoitecendo quando meu time ganhou o jogo e nós resolvemos que era hora de partir. O mano mano de Marcel Iha desacreditou: "Primeira vez que eu vejo uma festa de universitários acabar cedo assim! Aliás, vocês quase não beberam, ninguém fumou, ninguém puxou um baseado. Ei, vocês tão ARRUMANDO A CASA?!?!". É, a gente ainda tinha que visitar o asilo de velhinhos.
A vodka Askov que trouxeram vale uma menção honrosa, como único ícone de resistência ao baluarte imperialista que foi esse BBQ.
Festas de Edit são iguais, desde os tempos mais primórdios, hehehe
Provavelmente… nosso curso atrai pessoas todas, digamos, compatíveis, ehehehe. Mas o mais triste acho que é ver minhas memórias de faculdades chamadas de “primórdios”…